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art&mente
Neste diálogo da série 'A arte e a mente de...'
o filósofo José Neto conversa com
a escultora Sara Navarro...
COSMOS
EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA EM TERRACOTA DE SARA NAVARRO
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela /CMVRSA
Antiga Escola Primária de Santa Rita
15 de Fevereiro a 31 de Março
15 de Fevereiro, Sábado, 16h00 - Inauguração + “Uma Escultura, Muitas Mãos”
Inaugura no Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela/CMVRSA, em Santa Rita, no dia 15 de Fevereiro pelas 16h, “Cosmos” - exposição de escultura em terracota de Sara Navarro. Na inauguração o CIIPC e a artista convidam os visitantes a participarem na modelação colectiva de uma escultura.
Sara Navarro procura fazer uma ponte entre os processos mais remotos da produção cerâmica e a criação artística contemporânea. Privilegiando a relação entre a mão e a matéria, no sentido do ‘saber fazer’ artesanal, as suas terracotas, (re)criadas pela arte do fogo, transmitem algo de pré-histórico. Algo que evoca a arte e a cultura de outros tempos, de outros lugares, algo que nos desperta os ecos de uma terra antiga. Partindo de realidades perdidas, as formas que cria põem o tempo presente em comunicação com passados remotos. Pela transfiguração surgem modelos primordiais, reconhecíveis, mas carregados de novas simbologias. Artefactos com significados sempre múltiplos, com sentidos construídos e reconstruídos...
Sara Navarro, licenciada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, desenvolve a sua atividade entre o ensino, a investigação e prática artística. Atualmente é bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do doutoramento em Belas-Artes “Escultura, Arqueologia e Museus: transfigurações e mediações contemporâneas” da Faculdade de Belas-Artes da Universidade Lisboa.
A exposição estará patente no CIIPC, Santa Rita até 31 de Março de 2014 e pode ser visitada de segunda a sexta-feira no seguinte horário: 9h00 - 13h00 e 14h00 - 18h00.
Informações
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Antiga Escola Primária de Santa Rita
Tel. / Fax: 281 952600
Arte, Arqueologia e Museus: Correspondências e Mediações Contemporâneas
Sara Navarro
in Revista Internacional VOX MUSEI
Comissão Científica e Revisão por Pares (sistema double blind review)
ISSN 2182-9489 | e-ISSN 2182-0002
Periódico semestral vinculado ao Grupo de Pesquisa, CNPq "VOX MUSEI arte e património", Universidade Federal do Piauí, Brasil; e ao CIEBA, Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Portugal
A Revista veicula publicação de trabalhos inéditos, que versem sobre as relações entre arte, património e museus e a memória social, identidades, acervos, patrimónios natural e cultural, museus, públicos, educação, sociedade, acessibilidade e sustentabilidade, dentre outros objetos, temas, problemas e abordagens relacionados.
Grupo de Pesquisa, CNPq VOX MUSEI, Universidade Federal do Piauí, Brasil
Encontros: Arte como Arqueologia, Arqueologia como Arte
Sara Navarro
Resumo: A
arte contemporânea tem vindo a transformar-se naquilo que podemos descrever como
um vasto programa de investigação que olha de forma crítica aquilo que somos e,
neste sentido, pode oferecer um recurso fundamental para quem queira refletir sobre
o mundo e perceber o processo que fez de nós o que somos hoje. A partir da constatação
de que artistas e arqueólogos prestam, atualmente, cada vez mais atenção ao
respectivo trabalho de uns e de outros, proponho explorar a forma como a arte
contemporânea – e em particular o meu trabalho – se pode encaixar no projeto
arqueológico de estudo, compreensão e comunicação do passado humano.
Palavras-chave:
Arte; Arqueologia; Criatividade; Objetividade; Afetividade.
Publicação produzida a partir do Colóquio Internacional Artes e Ciências em Diálogo, que teve lugar na Universidade do Algarve nos dias 17 e 18 de janeiro de 2013, organizado pela Fundação para o Desenvolvimento da Universidade do Algarve (FDUAlg), em parceria com o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Universidade de Lisboa, pelo Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) e pelo Centro de Biomedicina Molecular e Estrutural (CBME) da UAlg.
Do Magma às Estrelas em Alcalar
MERCÚRIO VÉNUS TERRA MARTE JÚPITER SATURNO ÚRANO NEPTUNO PLUTÃO
No passado dia 21 de Setembro (2013), no âmbito das Jornadas Europeias do Património, os monumentos megalíticos de Alcalar receberam um conjunto de actividades organizadas pelo Museu de Portimão, entre as quais uma reedição da exposição Do Magma às Estrelas de Sara Navarro, concebida originalmente para as ruínas romanas de Milreu, desta feita em versão "instalação".
No passado dia 21 de Setembro (2013), no âmbito das Jornadas Europeias do Património, os monumentos megalíticos de Alcalar receberam um conjunto de actividades organizadas pelo Museu de Portimão, entre as quais uma reedição da exposição Do Magma às Estrelas de Sara Navarro, concebida originalmente para as ruínas romanas de Milreu, desta feita em versão "instalação".
DA OLEIRA
com esculturas de Sara Navarro
I
O vindimador sai à rua
traz na mão esquerda uma pomba de luz
o espaço arde discretamente
e as crianças dançam à volta do chafariz
com girândolas de ouro na testa
o ar aplainando-se como carne viva
as portas abertas
braçadas de olores muito antigos
entrando
e os velhos acariciam os seus animais
de estimação
então /
a oleira aparece
a oleira / violenta
rompendo a cortina dos barros cirúrgicos
agora /
ela aproxima-se do vindimador
ela traz à cabeça um cibório de bronze
lá dentro:
a combustão dos cereais
e o vindimador olha-a
ele sabe que Ela é a FONTE
- a abertura secreta da matéria sonora
II
Fecho os olhos
a flor do trigo sobe-me pelos ventrículos
persigo a cintura das tuas horas metálicas
o grande interior que me inquina
ah! a alegria dos cavalos
os microfones das clareiras
no fundo dos lagos
onde os teus olhos habitam a dor nocturna
inscrevo o teu nome na ânsia do barro
és um chão de sombras iluminadas
- um abismo que relincha
III
Os reflexos dos cestos - nos espelhos - nas paredes do barro.
em frente - o fogo.
e as sombras dos mortos - no jardim - contam as estrelas.
os animais aproximam-se pelo cio da água.
fontes! rios!
asas enroladas à cintura do bosque.
a certas horas - neste lugar -
a água dança no colo do fogo.
e as noras ouvem-se - dentro das cisternas -
possantes.
um campo abandonado.
o retinir das bandeiras.
ah! e suave o vento rasteja pela terra arável dos sonhos.
estas ruas! encruzilhadas!
sempre as mesmas - mas outras.
aqui - o sangue estremece para desabrochar
na barro do cântico.
e os chilreios das estátuas ardem
no palato da oleira que sonha.
a velha criança espreita-a.
é uma gateira oceânica.
ó grande vento nocturno!
amanhã a colheita acontecerá
( - talvez. )
IV
Debruça-se
lava as mãos - iluminadas de noite - no tanque grande
morosamente penteia os longos cabelos negros
o Grande Mistério escorre das torneiras arcaicas
a nora chia – chilreios! claridade!
nos lábios rebenta o flash do sangue nómada
e evoca o mundo através dos vasos da árvore magnífica
dos olhos que a olham por dentro
e de olhos fechados inscreve o fogo
no barro
V
Mananciais que perfuram
as paredes da vertigem
erva que cobre as ruínas
espigões maravilhosos
acendendo o céu
o doce tempo das mães
onde repousam as torneiras
dos celeirosobjectos vazios
por dentro a perplexidade
da luz do azeite
e oleiros que regressam
das grandes viagens
que pelas pontas dos dedos
exibem a claridade do barro
VI
Do barro ergue-se a mulher
por entre os dedos febris
o sangue que era um repouso
bate agora a repique nos ventrículos
paira sobre ela
a noite do oleiro
Publicado por Luís Costa em:
mallarmargens
revista de poesia e arte contemporânea
ISSN 2316-3887
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