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Castelo de Aljezur

A ocupação mais remota, no Cerro do Castelo de Aljezur, corresponde a um povoamento dos finais da Idade do Bronze, datado de há cerca de 3000 anos, atestado por materiais cerâmicos conservados em nível, pouco espesso e descontínuo, assente sobre o substrato rochoso.

Posteriores sondagens arqueológicas realizadas, em 2004, no talude poente, identificaram um muro de pedra, associado a materiais da Idade do Ferro, cuja construção aparenta ser anterior à muralha medieval, o que nos permite colocar a hipótese da continuidade da ocupação e o facto da existência de uma estrutura defensiva, sobre o cerro, poder recuar ao período proto-histórico. O referido troço da muralha da Idade do Ferro não é visível, por se ter optado pelo seu reenterramento, sendo a sua localização demarcada na sinalética.
Para o Período Romano-Republicano o espólio arqueológico, para além de produtos locais, registou produtos importados, provavelmente de origem itálica, como cerâmicas finas de mesa, de engobe negro e lustroso, de tipo campaniense, e ânforas vinárias, dos séculos II-I a.C.

Seguiu-se um período de abandono.
A presença humana retornou ao topo do cerro do castelo no Período Islâmico, cronologicamente balizado entre o século VIII e a primeira metade do XIII, registando-se arqueologicamente duas fases de ocupação. A primeira atestada por alicerces de alvenaria que sustentavam muros de taipa pertencentes a habitações que eram por vezes lajeadas. Foram ainda descobertos silos escavados, no solo, que permitem inferir a função de armazenamento de alimentos associada a esta época. A cisterna igualmente está associada a este período.
A partir de fins do século XV a ocupação com fins de povoamento nunca mais ocorreu no topo do cerro do castelo. Os achados arqueológicos, particularmente as cerâmicas, que surgiram em contexto de lixeira, no topo do enchimento das estruturas tardomedievais, comprovaram o definitivo abandono do sítio.
Hoje o Castelo de Aljezur encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público.

Fonte DRCA
 
 
 
 
 



Visita ao Castelo de Aljezur 
sob a orientação do Arqueólogo 
Rui Parreira 
Direcção Regional de Cultura do Algarve
(31.08.2013)

Castelo de Terena

Alandroal | Terena | São Pedro

As origens do castelo de Terena remontam à Baixa Idade Média, concretamente ao século XIII, altura em que o Alto Guadiana foi território de fronteira. As informações mais recuadas que possuímos dão conta de um foral passado à localidade em 1262, pelo cavaleiro régio Gil Martins. Desconhecemos se, logo após esta data, se terá iniciado a construção da fortaleza, mas tal iniciativa não se deverá afastar muito desta cronologia, dado o interesse que D. Dinis teve na consolidação desta linha de fronteira, em natural articulação com os castelos de Elvas, Juromenha e Alandroal.

Uma outra perspectiva situa a sua edificação apenas no século XV, por iniciativa de D. João I. Esta hipótese tem como fundamento a doação da vila de Terena à Ordem de São Bento de Avis, momento que pode ter implicado a renovação de uma estrutura anterior, não implicando, necessariamente, a total construção do monumento no século XV. De resto, já em 1380 se refere o castelo e a sua barbacã, o que indica claramente encontrar-se a fortaleza em construção.

Em 1482, D. João II nomeou Nuno Martins da Silveira como alcaide e, nas primeiras décadas do século XVI, o reduto foi objecto de uma ampla campanha de obras, que deixou marcas visíveis na estrutura. Todavia, é de considerar que uma parte considerável da fortaleza actual data, efectivamente, da viragem para o século XIV.

Planimetricamente, o castelo define um pentágono irregular (ao contrário das fortalezas manuelinas, que privilegiaram as plantas quadrangulares e racionais), a que se associam quatro torres circulares dispostas assimetricamente, com apenas uma protegendo um ângulo da muralha. A torre de menagem, de planta quadrangular de dois pisos, localiza-se a meio de um dos panos da cerca e implanta-se sobre a porta principal, protegendo-a por meio de uma pequena barbacã dominante, dotada de adarve e terraço ameado. A entrada principal, em cotovelo, revela bem o alcance das obras manuelinas, uma vez que é acedida por dois amplos arcos de volta perfeita, com impostas marcadas e decoradas com bolas e entrelaçados. Pensa-se que aqui tenha trabalhado Francisco de Arruda, ao redor de 1514, arquitecto reponsável pela alteração da entrada principal e da própria torre, dotando-a de um interior apalaçado.

A entrada original não se encontra bem definida, apesar de se saber ter sido desenhada por Duarte d'Armas em 1509. Este desenho revela uma estrutura harmónica, com entrada directa protegida de ambos os lados por cubelos associados à torre de menagem. Parece tratar-se de uma solução típica da arquitectura militar do período dionisino (eventualmente enriquecida por obras quatrocentistas). No lado oposto à entrada situa-se a Porta do Campo (também designada por Porta do Sol). Esta, apesar de ter sido entaipada durante as obras do século XVII, mantém a sua estrutura original gótica, de arco apontado ladeada por dois torreões circulares, numa estrutura simétrica bem ao gosto do Gótico pleno.

Em 1652, o castelo foi ocupado pelas tropas castelhanas, sendo que os nossos arquitectos de então não privilegiaram a fortaleza, preferindo, de longe, a fortificação de Elvas. Com efeito, não encontramos em Terena qualquer sistema abaluartado de defesa e, à excepção da Porta das Sortidas, deliberadamente voltada a Espanha, nenhum outro elemento evoca o bélico momento seiscentista.

Os séculos seguintes determinaram um progressivo abandono. No terremoto de 1755 registaram-se alguns estragos, não se podendo assegurar que se tenham realizado obras de restauro. A consolidação da estrutura chegou apenas no século XX, por intermédio da DGEMN, que efectuou uma primeira campanha em 1937, incluindo a reconstrução de um pano de muralha e a reinvenção de ameias. Na década de 80, realizaram-se diversos trabalhos na torre de menagem, de que importa destacar a reconstrução de abóbadas e uma série de adulterações aos elementos originais.

Castelo de Paderne

Faro | Albufeira | Paderne



Na margem esquerda da Ribeira de Quarteira, sobre um expressivo meandro da mesma, na cota de 100 m, ergue-se o Castelo de Paderne. Este encontra-se implantado numa colina de calcários do Jurássico Superior, com um declive bem acentuado, de orientação sudoeste-nordeste, constituindo um excelente ponto estratégico bem demarcado na paisagem envolvente, dominando-a efectivamente.

O Castelo de Paderne é um hisn, uma pequena fortificação rural hispano-muçulmana do período almóada (2.ª metade do século XII e primeiras décadas do século XIII), em cujas muralhas foi utilizado um único e já perdido processo construtivo: a taipa militar. O processo consistia em amassaduras de terra local, acrescidas de inertes e estabilizadas com cal aérea (numa percentagem de 12% a 15%), que eram compactadas, entre taipais, por apisoamento. O bloco ou módulo obtido, uma vez exposto a prolongada carbonatação, adquiriu a resistência de pedra com que chegou a nós.

Este castelo é um dos que figuram na Bandeira de Portugal e foi conquistado aos mouros por D. Paio Peres Correia em 1248, sendo definitivamente desactivado em 1858. Em consequência do seu progressivo abandono, a partir do século XVI, manteve a tecnologia construtiva e o desenho arquitectónico de base que lhe deram os seus fundadores almóadas. O mesmo abandono que possibilitou que as intervenções arqueológicas dos últimos anos exumassem estruturas tardomedievais demonstrativas da existência, no interior das muralhas, de um espaço planificado e totalmente urbanizado de raiz, constituído com base em ruas estreitas percorridas por um complexo sistema de drenagens que conduzia as águas residuais para o exterior da muralha. As ruas formavam quarteirões, com uma densidade de ocupação própria de contextos urbanos da época, preenchidos por características habitações almóadas, de pátio central descoberto ao qual acediam todas as salas. Após a conquista cristã, uma nova população, com conceitos distintos do que era o espaço doméstico, procederá à adaptação ou alteração do modelo inicial. No interior, estão ainda identificadas duas cisternas que dão testemunho dos dois principais momentos de ocupação do castelo – o islâmico e o cristão.
O castelo de Paderne é paradigmático da arquitectura militar almóada de taipa em Portugal. Configurou-se, na sua origem, como um pequeno recinto de forma trapezoidal irregular com um escasso hectare, envolto por uma robusta muralha de taipa militar, tendo, a sudeste, um vão de acesso directo à malha ortogonal da alcaria implantada no interior. Aquele único acesso, mantém a norte, localizada sensivelmente a meio do alçado nascente, no exterior da muralha, a cerca de 2,10 m desta, uma torre albarrã (al-barrāniya), que se une à muralha através de um passadiço, com a forma de um quadrilátero, medindo cerca de 2,90 m por 2,80 m, sustentado por um imponente arco. A torre apresenta planta quadrangular, uma altura máxima conservada de cerca de 9,30 metros e, no topo, um piso com uma área de cerca 30 m². A intervenção arqueológica na torre albarrã veio colocar a hipótese de ter existido um “parapeito” com aberturas de frechas ou seteiras. Originalmente, de acordo com fotografia publicada na “Monografia de Paderne” de Ataíde de Oliveira (1910), toda a estrutura (arco e o passadiço) seria em taipa, contudo as obras de conservação da DGEMN (1986) fizeram com que hoje corresponda, na sua metade inferior, a uma alvenaria de pedra.
No espaço interior, junto ao vão de acesso, são visíveis as ruínas de uma ermida que foi de evocação a Nossa Senhora da Assunção e conheceu romarias na data da sua padroeira (15 de Agosto) e, no dia da Anunciação, a 25 de Março. Em 1858 já se encontrava-se em ruína e desactivada do culto porque, nessa ano, com a justificação de que estava abandonada, o Livro de Actas da Junta da Paróquia regista a deliberação de que as telhas e as madeiras se retirariam em benefício da Igreja Matriz e da Ermida de Nossa Senhora Pé da Cruz. Possivelmente a Ermida de Nossa Senhora do Castelo ou de Nossa Senhora da Assunção terá ocupado parte da área do templo que foi a primitiva sede paroquial de Paderne pois, entre meados do século XIII e as primeiras décadas do século XVI, o adro do lado da muralha funcionou como cemitério.
Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971, este monumento tem sido objecto de estudo com vista à sua valorização e integração classificada nas áreas envolventes à Ribeira de Quarteira, enquanto Área de Paisagem Protegida. Esta abordagem tem contemplado a identificação de vários núcleos de interesse arqueológico e etnográfico, bem como a caracterização da fauna e flora por ali existentes.


A cerca de 200 m a sudeste do Castelo de Paderne, sobre a ribeira de Quarteira, e a 2.250 m a sul da povoação de Paderne, foi edificada uma ponte de alvenaria, possivelmente romana, com a data de 1771 inscrita no seu parapeito, sobre o arco central, talvez após a sua provável reconstrução por efeitos do terramoto de 1755. Possuí 3 arcos de volta perfeita, defendidos por 2 talha-rios com parapeito.

Castelo de Montemor-o-Novo





Montemor-o-Novo | Nossa Senhora da Vila

O Castelo de Montemor-o-Novo ainda conserva um vasto circuito amuralhado por uma cerca de alvenaria de pedra rematada por adarve, de planta irregular acompanhando uma linha de nível de cota estável. O recinto envolve o primitivo Castelo/Paço dos alcaides, a Igreja de São Tiago, o Convento de Nossa Senhora da Saudação (em ruínas), a Igreja de Nossa Senhora da Vila (em ruínas), a Igreja de São João Baptista e diversos equipamentos edificados militares e de utilidade pública: Paços do Concelho, açougues, cisterna, casa da guarda, vestígios dos fundamentos de vários quarteirões da urbanização primitiva. A cerca, de alvenaria de pedra de grande espessura, com paramentos de altura irregular, está interrompida por ruína em grande extensão da face SO, conservando-se, numa sequência com unidade, o lanço NE. Entre as portas de Santiago e do Anjo a cerca é reforçada por 11 torreões cilíndricos, muito arruinados. Mais um exemplo de um Monumento Nacional a carecer de urgentes intervenções de restauro e conservação.

Implantando-se numa posição dominante sobre o outeiro mais alto da região, o castelo abrigou intra-muros a povoação original, que acabou por se expandir pela encosta a Norte. A primitiva ocupação humana deste local remonta, presumivelmente, a um povoamento indígena da Idade do Bronze, posteriormente romanizado (Castrum Malianum?), conforme sugerem os vestígios arqueológicos da região. De destacar o facto de o Castelo de Montemor-o-Novo se situar à beira das vias romanas provenientes de Santarém e da foz do rio Tejo, seguindo por Évora até Mérida. O local teria sido, por esta razão, fortificado.
O Período Muçulmano legou à região, por exemplo, o hidrónimo da "Ribeira de Almansor", corruptela do nome de Al-Mansur. Alguns autores afirmam que chegou mesmo a existir uma fortificação muçulmana.
A tradição histórica refere que foi neste castelo que Vasco da Gama ultimou os planos para a sua viagem à Índia.