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Museu Municipal de Faro

Cem anos após a sua fundação, marco que confere ao Museu Municipal de Faro o estatuto de um dos mais antigos museus da região algarvia, e depois de ter conhecido várias moradas, o antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção, a sua actual sede, é de longe a que melhor lhe assenta e a que mais o valoriza. O claustro, herança arquitectónica da vida conventual, distribui pelos seus dois pisos as salas de exposição. Ao circular pelo claustro torna-se possível aceder a uma síntese das origens e história de Faro, desde a época Romana à contemporaneidade, organizada em cinco exposições permanentes:

Os Caminhos do Algarve Romano convidam-nos a ouvir a mensagem que os cidadãos romanos de Ossonoba nos legaram através da escrita epigráfica, na pedra, onde podemos descobrir desde sentimentos íntimos a dedicatórias oficiais da Respublica Ossonobense aos imperadores. 
Na Sala do Mosaico Romano o objecto de finais do século II, inícios do século III retrata o deus Oceanus. É de extrema importância para o conhecimento da cidade de Ossonoba (Faro), vindo comprovar a existência de uma área comercial na cidade extra-muros, testemunhando a vitalidade económica, comercial e social no século III.
Na Casa Islâmica, cujos objectos expostos datam entre os séculos X e XIII, originários da cidade islâmica de Santa Maria (Faro). Aqui apresentam-se artefactos da vida quotidiana numa casa islâmica do sul de Portugal. A simulação de alguns espaços da casa islâmica demonstra os hábitos culturais de uma civilização que durante cinco séculos ocupou a região algarvia.
A Pintura Antiga é constituída por um conjunto de 63 pinturas que mostram a vitalidade do Bispado do Algarve e dos mais cultos Mecenas Algarvios. A colecção reúne obras do séc. XVI ao XIX, com estilos artísticos desde o Renascimento, passando pelo Barroco, Rococó e Neoclássico.
O Algarve Encantado na Obra de Carlos Porfírio resulta da simbiose entre a recolha oral feita por Ataíde de Oliveira no final do séc. XIX e as 9 pinturas realizadas por Carlos Porfírio, em meados do século XX, inspiradas nas lendas. O imaginário das mouras encantadas sobreviveu até aos nossos dias.

Contactos:
Largo D. Afonso III, n.º 14 – 8000 – 167 Faro
Telf.:  289 897 400 | Fax 289 897 419 | dmar.dc@cm-faro.pt
o museu na web



Oceanus 

Busto de mármore de Agripina

Busto de mármore do Imperador Adriano

A Casa Islâmica

Muito "reservadamente" nas Reservas...

PALATO - Cozinhando na Paisagem de MILREU


A acção performativa Cozinhando na Paisagem, de Jorge Rocha, continua as suas apresentações pelo Algarve, integrando o projecto Palato que cruza Arte, Gastronomia e Património. Depois de uma primeira acção nos Monumentos Megalíticos de Alcalar no passado mês de Abril, o projecto foi agora apresentado na Villa Romana de Milreu. O formato Talk Show, em contacto directo com o público, integrou uma pesquisa sobre os hábitos do gosto romano, cruzando saberes e sabores que hoje fazem parte da alimentação territorial da região algarvia. Com o apoio dos arqueólogos João Pedro Bernardes e Rui Parreira, Jorge Rocha desenhou um menu que nos guiou sobre particularidades que se afiguram relevantes para percebermos em que medida os romanos nos deixaram um legado cultural gastronómico. Dos diversos ingredientes utilizados fazia parte o molho vietnamita Nuoc Mam, tempero muito utilizado na Ásia e que se julga ser aproximado do famoso garum, um condimento muito utilizado na roma antiga. A sessão que teve o apoio da Direcção Regional de Cultura do Algarve e da Junta de Freguesia de Estoi, integrou uma transmissão em directo e a gravação poderá ser visionada no Canal Palato.



do MAGMA às ESTRELAS



Do magma às estrelas: elogio das coisas simples e antigas


por Manuel Calado


Fogo, ar, água, terra; terra, água, ar, fogo.


A cerâmica foi o primeiro material sintético usado pela humanidade. A transmutação dos elementos, uma forma eficaz de magia; o domínio da matéria pelo espírito.

Os primeiros potes foram os arquétipos dos caldeirões mágicos do nosso velho imaginário, os potes onde eram manipuladas as potiones; nos seus ventres bojudos, grávidos, os alimentos eram transmutados pelo fogo, pelo ar, pela água e pelo tempo.

Era nesses caldeirões mágicos que nasciam as bebidas sagradas, catalizadores privilegiados das viagens extáticas aos mundos dos deuses e dos antepassados.

Os potes, como obras exclusivamente humanas, tornaram-se, em muitas culturas, metáforas privilegiadas do próprio homem.

Materiais transformados pelo Homem e que serviam para transformar os alimentos, preparando-os para, no corpo humano, participarem nessa misteriosa alquimia de transformar a matéria no fogo dos sonhos.

Foram, mais tarde, as matrizes dos crisóis. O metal nasce na terra e manifesta-se através do fogo, em peças de cerâmica. Hierofanias.
A cerâmica neolítica era uma ferramenta de magia criada por artes mágicas. Era, por isso, certamente, um meio de expressão artística.

A forma dos objetos era já, só por si, uma manifestação de criatividade, carregada de significados e evocações. Mas, além disso, devido à sua plasticidade, a cerâmica era um suporte particularmente apto para receber grafismos.

A cerâmica, nesse sentido, era equivalente à arte rupestre.

E a cerâmica não é só escultura: desde as suas origens mais remotas, a gravura e a pintura fazem parte dela.

Sara Navarro percorreu um longo caminho: recuou 7000 anos até ao tempo em que a cerâmica era uma tecnologia de ponta. Uma conquista tecnológica. Partindo de uma realidade perdida, de que apenas podemos suspeitar os contornos, ela propôs-se transfigurar os potes, reencontrando, nesse processo, em que o presente e o passado se interpenetram, as emoções perdidas do protagonismo da terra.

Criando corpos inusitados, repensados, reinventando, num quadro novo, as velhas novidades neolíticas. Objetos arquetípicos, reconhecíveis, mas depurados das antigas funcionalidades e simbologias.

Corpos adâmicos, sensuais. Recuperando essa ligação quase perdida às matérias primordiais e eternas. Objetos femininos, ventres búdicos. Redondos como o Sol e a Lua. Eróticos. Maternais. Mamilados. Umbilicados. Objetos de desejo. Macios. Lembrando um tempo de presumida inocência. Lúdico.

‘Arte-factos’. Com significados sempre múltiplos, com sentidos construídos e reconstruídos...



Villa de Milreu | Estoi | Faro




A villa romana de Milreu constitui uma das mais representativas villae romanas do sul de Portugal. Situa-se no sopé da Serra de Monte Figo, perto de Estoi, a cerca de 7 km de Faro - a antiga Ossonoba. De facto, André de Resende, em 1570, atribuiu erradamente às ruínas romanas de Milreu a localização de Ossonoba. Esta falácia foi repetida na bibliografia até 1952, data em que Abel Viana faria irrefutável prova de que a antiga Ossonoba se encontrava sob o edificado do centro histórico de Faro. Entretanto, em 1877, Estácio da Veiga inicia uma extensa campanha de escavações, ainda perseguindo a ideia de uma Ossonoba em Milreu:

«Onde pus à vista a famosa catedral [...] descobri um opulento edifício balneário com 58 compartimentos, casas de habitação, oficinas industriais, arruamentos, canalizações, e nas ombras do Cerro de Guelhim o cemitério da cidade pagã, inteiramente separado dos monumentos e jazigos cristãos que tornearam o majestoso templo, de ordem coríntia, nos seus dois claustros circundantes e até invadirem o âmago da própria catedral». «[...] no plano inferior ao dos pavimentos desses nobilíssimos edifícios recamados de preciosos mosaicos e alicerces dos seus muros marchetados de mármores e pórfiros estavam os assentamentos de outros mais antigos predecessores, que usavam instrumentos de pedra».

Uma grande parte da área escavada por Estácio da Veiga foi logo reenterrada para reutilização agrícola.

Genericamente, trata-se de uma villa de peristilum, conservando o respectivo santuário bem preservado em alçado de tijolos, além de quartos de habitação, compartimentos de prestígio e termas. A leste deste núcleo central (pars urbana), desenvolve-se a área rústica da villa (pars rustica) e os vestígios de dois interessantes edifícios funerários romanos.

Este conjunto arqueológico foi declarado Monumento Nacional em 1932, sendo desde então alvo de escavações sistemáticas e diversas intervenções de consolidação, conservação e restauro, particularmente do conjunto de mosaicos.



Peristilum com colunas e mosaicos representando peixes:




Impressionante edifício religioso sobre podium, conservando muros de tijolo maciço até ao arranque das abóbadas:










Termas apodyterium com bancos e nichos:


Frigidarium com mosaicos figurativos com peixes:





cellarium em dolia:



Outros aspectos:





Edifício rectangular alongado, com 4 pequenos cunhais/torreões cilíndricos providos de frestas para tiro. A actual casa germinou de um pequeno monte erigido no século XV, sobre as ruínas romanas (lagar), sofrendo diversos episódios de remodelação e reconstrução, sendo utilizado até meados do século XX, enquanto casa de habitação e centro de actividade agrícola. Representa o melhor conservado exemplar de arquitectura rural fortificada existente em todo o Algarve.

Esta antiga casa rural serve actualmente de morada a exposições temporárias, nomeadamente de arte contemporânea, tendo agendada para Abril de 2012 a presença de Sara Navarro com um conjunto de esculturas em terracota, no âmbito da investigação A Arqueologia como pretexto para a Escultura.






















De referir um importante conjunto lapidar exumado em Milreu, actualmente repartido entre o Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa, Museu Regional de Lagos e o Museu Municipal de Faro.

Busto em mármore do Imperador Adriano
(Museu Municipal de Faro)

Busto em mármore de Agripina
(Museu Municipal de Faro)