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Iluminados Passeios Nocturnos em Vila do Bispo

Pedras que falam, ecos que se revelam...

Vila do Bispo foi o ponto de encontro de um grupo de 15 amigos, residentes no concelho, para um passeio noturno pelos trilhos megalíticos da Pedra Escorregadia, do Monte dos Amantes e do Serro do Camacho, numa área de elevada concentração de menires pré-históricos... e não só!
Entre os participantes nesta aventura, que decorreu no passado dia 11 de maio, conta-se a presença da vice-presidente da Câmara Municipal, Rute Silva, dos presidentes das Juntas de Freguesia de Vila do Bispo e Raposeira e de Sagres, Dino Lourenço e Luís Paixão, respetivamente, e operadores hoteleiros da região.
Após um briefing de boas vindas e munidos de equipamento individual de iluminação, o grupo partiu à luz da meia lua, numa aventura conduzida pela Carla Cabrita, da Walkin' Sagres (empresa especializada em caminhadas guiadas na região concelhia), e por Ricardo Soares, arqueólogo da Câmara Municipal de Vila do Bispo.
Ao longo do passeio foram transmitidas diversas informações, apontamentos e curiosidades relacionados com o rico tema do megalitismo menírico de Vila do Bispo. As lanternas apenas foram ligadas para iluminar as decorações gravadas nos monólitos de calcário branco, técnica de luz dirigida que permite revelar segredos que a luz do dia dificilmente permite vislumbrar. 
Com esta experiência piloto pretendeu-se testar uma plataforma de convergência, envolvendo entidades públicas e privadas da região, em torno de um interesse comum – o património natural, histórico-arqueológico e cultural de Vila do Bispo.
Face aos resultados obtidos com esta iniciativa, a autarquia pretende apoiar as empresas ligadas ao setor turístico, através de apoio técnico, no desenvolvimento de produtos de educação patrimonial e de turismo cultural, designadamente na área da arqueologia.
Fotografia: Armindo VicenteCarina Boto e Carla Cabrita

Making-of e alguns apontamentos megalíticos...

Artefactos da villa romana da Boca do Rio | Budens | Vila do Bispo

Espólio arqueológico proveniente da Villa Romana da Boca do Rio (Budens), em exposição permanente no Centro de Interpretação de Vila do Bispo  maravilhosos fragmentos de uma remota História Regional...

Fragmentos de estuque com frescos pintados na 2.ª metade do séc. IV d.C.,
figurando personagens masculinas romanas
Fragmentos de estuque pintados na 2.ª metade do séc. IV d.C.,
figurando um cavalo com arreios com botões metálicos
Fragmentos de estuque com frescos pintados na 2.ª metade do séc. IV d.C.
Fragmentos de cerâmica romana importada da Gália
(séc. IV d.C)
Fragmento de disco de lucerna romana com figuração de Vitória,
deusa do panteão romano tradicionalmente representada com asas,
envergando uma túnica drapeada e ostentando na mão direita uma coroa de louros
Numismas (moedas) romanas do séc. IV d.C., 
sendo possível vislumbrar, num dos exemplares, uma figura humana de difícil interpretação
Corrente de elos em oito (bronze)
Fragmentos de alfinetes de cabelo em osso
Pregos e cavilhas em bronze
Haste de bronze perfurada,
eventualmente de "tonteira" para pesca de moluscos marinhos (polvo, choco e lula)
Fragmento de fateixa em bronze 
Conjunto de anzóis em bronze
Conjunto  de agulhas de rede de pesca em bronze
Pesos de rede
(em pedra e bronze)
Dolium - grande contentor cerâmico 

Fotografias de Ricardo Soares

Uma âncora de pedra emersa da ruralidade algarvia ou simplesmente uma "poita de burro"?



O objecto aqui apresentado foi recentemente identificado, descontextualizado, surgindo "em seco", nas imediações de ruínas de um "casal agrícola" de época contemporânea/etnográfica. 
Produzida em grés (arenito) vermelho de Silves, apresenta uma forma grosseiramente triangular, com uma regular perfuração no seu extremo menor. 
A explicação funcional mais simples remete-nos para uma "poita de burro", ou seja, uma amarra de pedra perfurada que, horizontalmente, incorporava a parede de um edifício rural, destinando-se a prender animais. 
A outra possibilidade, considerando analogias mais costeiras, consiste na possibilidade de se tratar de uma ancora lítica que, por se encontrar distante dos seus mais expectáveis ambientes de ocorrência (marinhos, fluviais ou museológicos!), implicaria dois momentos distintos de utilização: a original função náutica e a sua posterior deslocação e reutilização em ambiente rural. De facto, existem diversos paralelos algarvios de âncoras líticas morfologicamente semelhantes ao monólito aqui apresentado. 
Em qualquer das hipóteses, esta pedra reveste-se de um conjunto de curiosos aspectos: no seu lado menor, no topo envolvente à perfuração, apresenta algumas depressões semiesféricas, prováveis "covinhas" de bigorna; uma série de alongados trilhos incisos, dispersos sobretudo na metade superior da peça e comummente associados a tarefas de afiar/amolar gumes de machados e de outras lâminas; e, no centro de uma das faces, uma depressão longitudinal de polimento. 
Trata-se de um conjunto de evidências que propõem uma ferramenta rural multiusos. As características geológicas do grés de Silves, um arenito de grande dureza e de grão-fino, foram exploradas desde a Pré-história até à actualidade, designadamente para tarefas de amolar gumes. 

A propósito das poitas e âncoras de pedra, antes e após o advento dos metais, o Homem recorreu a estes objectos para fixar as embarcações nas suas primárias actividades. Estão em causa blocos de pedra, geralmente de grosseira forma trapezoidal, circular ou triangular, apresentando perfurações no lado menor (1, 2 ou 3) ou entalhes laterais para a passagem do cordame de fixação.
O recurso ao metal em âncoras só se encontra documentado a partir do séc. VII a.C., enquanto a utilização da pedra é registada de forma continuada até aos dias de hoje, com variadíssimos casos de reutilização como poitas de fundeadouro, o que levanta grandes dificuldades de contextualização e datação.
Consciente da sua importância, Honor Frost elaborou uma tipologia para as âncoras líticas recuperadas por toda a orla do Mediterrâneo, procurando esboçar um mapa das rotas percorridas por embarcações desde a Idade do Bronze (Frost, 1972; 1985).
O estudo destas peças líticas permite identificar os fundeadouros e os “proto-portos” dos primeiros navegantes, oferecendo dados fundamentais acerca da dimensão das embarcações que fixavam, da sua proveniência e do carácter das navegações que praticavam – cabotagem ou alto-mar.
A utilização de âncoras de pedra encontra-se documentada, por exemplo, no célebre naufrágio do Bronze Final do promontório de Ulu Burun (Turquia), onde foram assinaladas sete grandes âncoras líticas (Pulak, 1994).
Também em Portugal têm sido identificados diversos casos, sobretudo trazidos “à tona” por pescadores e mergulhadores. Foi o caso do exemplar recuperado por mergulhadores ao largo do Farol da Guia, em Cascais (fig. 149). Trata-se de uma âncora lítica de dois orifícios, de forma trapezoidal bastante alargada, que pela sua tipologia foi enquadrada na segunda metade do 1.º milénio a.C. (Carvalho e Freire, 2007, p. 6, cf. Frost, 1970). No Museu do Mar Rei D. Carlos (Cascais), onde foi depositado, também se pode observar outro exemplar, de forma triangular e um orifício, recuperado no Algarve nos anos de 1980 (fig. 150 – Carvalho e Freire, 2007, p. 6).
De facto, até à data, parece ter sido nas costas algarvias que se identificou o maior número destas peças, designadamente em Albufeira (Simplício, 1999, p. 8-9). Ainda que muitas vezes descontextualizados, lá vão surgindo diversos exemplares expostos em alguns museus (Museu de Portimão, Museu Municipal de Arqueologia de Silves, etc.). 
Também no rio Sado (Carvalho e Freire, 2007, p. 7) e na Arrábida (mergulhos promovidos pela Câmara de Sesimbra) têm surgido notícias acerca destes objectos, porém não foi possível, até ao momento do fecho do presente texto, precisar melhor estas últimas informações orais.


Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Ricardo Soares
2012-2013

PhotoArch no I Concurso de Fotografia da Associação dos Arqueólogos Portugueses



2.º prémio na categoria "Escavações e outros trabalhos de campo"

Título: No Crivo do Tempo
Legenda: Trabalho de crivo durante a escavação da Lapa da Cova (Serra do Risco/Arrábida/Sesimbra)
Data: Abril de 2010
Autor: Ricardo Soares | PhotoArch

Dossier fotográfico na Nova Carta Arqueológica do Alandroal - O Tempo dos Deuses




O Tempo dos Deuses - Nova Carta Arqueológica do Alandroal (2013)

Autores:
Manuel Calado & Conceição Roque

Fotografia:
José M. Rodrigues (Prémio Pessoa 1999)
Ricardo Soares
Manuel Calado

I Concurso de Fotografia da AAP




































Fotografias PhotoArch a concurso:

Tema: Escavações e outros trabalhos de campo
Título: No crivo do Tempo
Legenda: Trabalhos de crivo durante a escavação da Lapa da Cova (Serra do Risco-Arrábida-Sesimbra)
Data: Abril de 2010

























Tema: Arqueologia e outras ciências (trabalho de laboratório, materiais arqueológicos, restauro)
Título: Na noite do Tempo
Legenda: Trabalho de registo fotográfico nocturno, com luz rasante, nos menires do Recinto Megalítico dos Almendres
Data: Outubro de 2009




Tema: Sítios Arqueológicos, pessoas e paisagem
Título: Na sombra do Tempo
Legenda: Menir do Barrocal em plena Primavera
Data: Abril de 2013



O Fotógrafo Martins Sarmento


Exposição de Fotografias
 de Francisco Martins Sarmento

9 MARÇO - 8 ABRIL

Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura

Pioneiro da Arqueologia em Portugal, Francisco Martins Sarmento foi também fotógrafo. As suas imagens, agrupadas em duas grandes linhas temáticas - fotografia de estúdio e fotografia de arqueologia - traduzem o seu espírito curioso, de constante procura e aprendizagem.

A exposição O Fotógrafo Martins Sarmento apresenta uma revisão deste corpo fotográfico, através de uma proposta de leitura assente em rostos (os retratos que Sarmento realizou) suspensões (o efeito criado pela delineação dos contornos do objecto ou pessoa fotografada) e coisas (as imagens dos achados arqueológicos de Sarmento). Esta exposição é acompanhada de livro-catálogo com a publicação, pela primeira vez, dos Cadernos de Fotografia escritos por Francisco Martins Sarmento entre 1868 e 1876.

Existem 543 negativos em colódio sobre placa de vidro com imagens fotográficas da autoria de Francisco Martins Sarmento. Datam de entre as décadas de sessenta e oitenta do século XIX e encontram-se à guarda da Sociedade Martins Sarmento. A Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura, através do projecto Reimaginar Guimarães, em colaboração com a SMS, procedeu à limpeza, digitalização e legendagem desta Colecção de Fotografia. Depois de A Cidade da Muralha, chega a vez de se revelar o trabalho de O Fotógrafo Martins Sarmento, apresentando uma selecção de 70 fotografias suas.

O conjunto de fotografias feitas pelo Arqueólogo vimaranense divide-se, quase exclusivamente, em imagens de estúdio, tiradas no atelier do seu palacete da Rua do Poço (actual Largo Martins Sarmento) e em fotografias de arqueologia, que documentam os trabalhos que fez na Citânia de Briteiros e no Castro de Sabroso. Todas as imagens de Sarmento são imagens interrogativas: as de estúdio enquanto processo de aprendizagem, as de arqueologia enquanto geradoras de teses a propósito do seu objecto. Sublinhando esta natureza interrogativa das imagens, a proposta desta exposição propõe uma leitura a partir de três motivos: rostos, suspensões e coisas. Se os rostos são maioritariamente os retratos de estúdio e as coisas as fotografias de Arqueologia, as suspensões revelam o efeito irreal criado pela delineação de contornos no objecto principal da fotografia, criando a ilusão da sua levitação. Esta exposição é acompanhada de livro-catálogo com a publicação dos Cadernos de Fotografia escritos por Francisco Martins Sarmento entre 1868 e 1876.