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Castelo de Montemor-o-Novo





Montemor-o-Novo | Nossa Senhora da Vila

O Castelo de Montemor-o-Novo ainda conserva um vasto circuito amuralhado por uma cerca de alvenaria de pedra rematada por adarve, de planta irregular acompanhando uma linha de nível de cota estável. O recinto envolve o primitivo Castelo/Paço dos alcaides, a Igreja de São Tiago, o Convento de Nossa Senhora da Saudação (em ruínas), a Igreja de Nossa Senhora da Vila (em ruínas), a Igreja de São João Baptista e diversos equipamentos edificados militares e de utilidade pública: Paços do Concelho, açougues, cisterna, casa da guarda, vestígios dos fundamentos de vários quarteirões da urbanização primitiva. A cerca, de alvenaria de pedra de grande espessura, com paramentos de altura irregular, está interrompida por ruína em grande extensão da face SO, conservando-se, numa sequência com unidade, o lanço NE. Entre as portas de Santiago e do Anjo a cerca é reforçada por 11 torreões cilíndricos, muito arruinados. Mais um exemplo de um Monumento Nacional a carecer de urgentes intervenções de restauro e conservação.

Implantando-se numa posição dominante sobre o outeiro mais alto da região, o castelo abrigou intra-muros a povoação original, que acabou por se expandir pela encosta a Norte. A primitiva ocupação humana deste local remonta, presumivelmente, a um povoamento indígena da Idade do Bronze, posteriormente romanizado (Castrum Malianum?), conforme sugerem os vestígios arqueológicos da região. De destacar o facto de o Castelo de Montemor-o-Novo se situar à beira das vias romanas provenientes de Santarém e da foz do rio Tejo, seguindo por Évora até Mérida. O local teria sido, por esta razão, fortificado.
O Período Muçulmano legou à região, por exemplo, o hidrónimo da "Ribeira de Almansor", corruptela do nome de Al-Mansur. Alguns autores afirmam que chegou mesmo a existir uma fortificação muçulmana.
A tradição histórica refere que foi neste castelo que Vasco da Gama ultimou os planos para a sua viagem à Índia.


A Lapa 4 de Maio & a "tábua árabe"




Topografia da Lapa 4 de Maio

A tábua árabe


A lapa 4 de Maio foi identificada em 2000, na sequência de trabalhos de prospecção espeleológica desenvolvidos pelo NECA (Núcleo de Espeleologia da Costa Azul). O seu nome deve-se ao facto de ter sido descoberta no dia 4 de Maio, o dia do Senhor das Chagas, Santo de grande devoção em Sesimbra. Situa-se na Serra da Azóia, nas imediações do Vale das Lapas. Trata-se de uma lapa composta por duas pequenas salas sobrepostas. O seu interesse arqueológico já se encontrava documentado pela ocorrência, na sala inferior (com 30 m2 e um desnível máximo de + 2 m), de artefactos de pedra polida (enxó de anfibolito), fragmentos de cerâmica manual, incluindo bordos e decoração campaniforme, além de algumas contas de colar discóides em xisto. Na sala superior, com um desnível de 0 m e uma área aproximada de 45 m2, foi encontrada, em Agosto de 2009, uma inscrição árabe sobre as duas faces de um placa de madeira. Esta descoberta deu-se no decorrer do levantamento topográfico da cavidade, levado a cabo por Rui Francisco e Miguel Amigo, enquanto membros da equipa da nova Carta Arqueológica do Concelho de Sesimbra.

Trata-se de «uma placa de madeira compacta, de forma rectangular, com 58 cm de comprimento, por 15,5 cm de largura e 1 cm de espessura. O topo superior e inferior encontram-se ligeiramente arredondados. A placa encontra-se incompleta na sua metade superior, provavelmente consequência directa do ambiente em que foi depositado. Sugere que terá sido ligeiramente danificada por acção do fogo. O campo epigráfico inicia-se no topo da placa, nos dois lados da mesma e desenvolve-se quase até à sua metade inferior, deixando um espaço livre adequado para ser segurado por ambas as mãos. Segundo as leituras preliminar dos dois arabistas consultados, estamos perante um texto de natureza religiosa, com alusões a Allah/Deus. Para Nicole Cottart, a “Placa”, apresenta uma sura (texto religioso) de natureza mística, provavelmente ligado à presença de morabitinos, cuja visibilidade e existência encontra-se documentada para o século XII na região. Num certo sentido, a palavra Azóia que também significa Ribat, correspondiam a locais onde um professor de sensibilidade religiosa, tinha a sua congregação e ensinava a ler ou a escrever. A presença desta placa numa gruta de Sesimbra, escondida em meados do século XII num ambiente de guerra, obriga-nos a seremos prudentes na apresentação de hipóteses de trabalho. O documento sesimbrense é único em Portugal porque sabemos exactamente onde foi encontrado e qual o contexto envolvente. Em território do Garb, só temos conhecimento com base num artigo do Arquivo de Beja, de um conjunto de placas em madeira, similares, em depósito no Museu de Beja, mas de proveniência desconhecida». «O achado de Sesimbra, para além de ser notável em variados aspectos, apresenta-se escrito num tipo de suporte completamente novo e muito raro no Garb al-Andalus. Quanto ao texto, estamos perante um estilo cúfico, coerente com o que era usado no século XII, em contexto Almorávida. Segundo os arabistas consultados, estamos provavelmente perante um texto de tipo “Magrebino” ou local, pouco cuidado, mais de um ambiente “popular” do que “erudito”, escrito numa forma rápida. Se o estilo empregue no texto é coerente com o usado no século XII, o facto de esta placa ter sido escondida numa gruta pequena, de acesso difícil mesmo nos dias de hoje, sugere que o objectivo que esteve por detrás do ocultamento, seria esta não ser encontrada. O perigo na perspectiva islâmica, eram os eminentes avanços e recuos portugueses na serra da Arrábida, após a conquista de Lisboa em 1147. Como hipótese de trabalho, sugerimos que a data de ocultamento desta placa tenha ocorrido em 1165 ou pouco depois, ano que representa a primeira conquista do Castelo de Sesimbra pelos Portugueses. A palavra de Deus é sagrada para o crente muçulmano, independentemente do suporte usado. É dever do crente impedir que os não crentes tenham acesso a ele. O facto de o objecto portador de baraka/bênção estar oculto, é benéfico para a região envolvente, porque mesmo que o território cai nas mãos dos cristãos, a palavra de Allah permite uma ligação “simbólica” ao Dar al-Islam na perspectiva do crente islâmico. Provavelmente, quem escondeu a placa, queria simbolizar a fuga do Profeta Maomé para Medina que antecede o seu regresso triunfal a Meca. Seja como for, a placa permaneceu estes últimos séculos escondida, numa região que conseguiu manter o seu nome de origem árabe, revelador do carácter sagrado que representava nesses tempos conturbados de Sesimbra» (Calado et al., 2009, p. 186-187).

A tradução da
SURA 39.ª
(pelo Cheique David Munir da Mesquita de Lisboa)


Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso
1. Em verdade, temos-te predestinado um evidente triunfo,
2. Para que Deus perdoe as tuas faltas, passadas e futuras, agraciando-te e guiando-te pela senda recta.
3. E para que Deus te secunde poderosamente.

4. Ele foi Quem infundiu o sossego nos corações dos fiéis para acrescentar fé à sua fé. A Deus pertencem os exércitos dos céus e da terra, porque Deus é Prudente, Sapientíssimo.

5. Para introduzir os fiéis e as fiéis em jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente, bem como absolver-lhes as faltas, porque é uma magnífica conquista (para o homem) ante Deus.

6. É castigar os hipócritas e as hipócritas, os idólatras e as idólatras que pensam mal a respeito de Deus. Que os açoite a vicissitude! Deus os abominará, amaldiçoá-los-á e lhes destinará o inferno. Que péssimo destino!

7. A Deus pertencem os exércitos dos céus e da terra, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo.

8. Em verdade, enviamos-te por testemunha, alvissareiro e admoestador,

9. Para que creiais (ó humanos) em Deus e no Seu Mensageiro, socorrendo-O, honrando-O e glorificando-O, pela manhã e à tarde.

10. Em verdade, aqueles que te juram fidelidade, juram fidelidade a Deus. A Mão de Deus está sobre as suas mão; porém, quem perjurar, perjurará em prejuízo próprio. Quanto àquele que cumprir o pacto com Deus, Ele lhe concederá uma magnífica recompensa.

11. Os que ficaram para trás, dentre os beduínos, dir-te-ão: Estávamos empenhados em (proteger) os nossos bens e as nossas famílias; implora a Deus que nos perdoe! Dizem, com seus lábios, o que os seus corações não sentem. Dize-lhes: Quem poderia defender-vos de Deus, se Ele quisesse prejudicar-vos ou beneficiar-vos? Porém, Deus está inteirado de tudo quanto fazeis.

12. Qual! Imagináveis que o Mensageiro e os fiéis jamais voltariam às suas famílias; tal pensamento desenvolvia-se nos vossos corações! E pensáveis maldosamente, porque sois um povo desventurado.

13. E há aqueles que não crêem em Deus e em Seu Mensageiro! Certamente temos destinado, para os incrédulos, o tártaro.

14. A Deus pertence o reino dos céus e da terra. Ele perdoa quem quer e castiga quem Lhe apraz; sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.

15. Quando marchardes para vos apoderardes dos despojos, os que ficarem para trás vos dirão: Permiti que vos sigamos! Pretendem trocar as palavras de Deus. Dize-lhes: Jamais nos seguireis, porque Deus já havia declarado (isso) antes. Então vos dirão: Não! É porque nos invejais. Qual! É que não compreendem, senão poucos.

16. Dize aos que ficaram para trás, dentre os beduínos: Sereis convocados para enfrentar-vos com um povo dado à guerra; então, ou vós os combatereis ou eles se submeterão. E se obedecerdes, Deus vos concederá uma magnífica recompensa; por outra, se vos recusardes, como fizestes anteriormente, Ele vos castigará dolorosamente.

17. Não terão culpa o cego, o coxo, o enfermo. Quanto àquele que obedecer a Deus e ao Seu Mensageiro, Ele o introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios; por outra, quem desdenhar, será castigado dolorosamente.

18. Deus Se congratulou com os fiéis, que te juraram fidelidade, debaixo da árvore. Bem sabia quanto encerravam os seus corações e, por isso infundiu-lhes o sossego e os recompensou com um triunfo imediato,

19. Bem como com muitos ganhos que obtiveram, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo.

20. Deus vos prometeu muitos ganhos, que obtereis, ainda mais, adiantou-vos estes e conteve as mãos dos homens, para que sejam um sinal para os fiéis e para guiar-vos para uma senda recta. E outros ganhos que não pudestes conseguir, Deus os conseguiu, e Deus é Onipotente.

21. E ainda que o incrédulos vos combatessem, certamente debandariam, pois não achariam protector nem defensor.

22. Tal foi a lei de Deus no passado; jamais acharás mudanças na lei de Deus.

23. Ele foi Quem conteve as mãos deles, do mesmo modo como conteve as vossas mãos no centro de Makka, depois de vos ter feito prevalecer sobre eles; sabei que Deus bem vê tudo quanto fazeis.

24. Foram eles, os incrédulos, os que vos impediram de entrar na Mesquita Sagrada e impediram que a oferenda chegasse ao seu destino. E se não houvesse sido por uns homens e mulheres fiéis, que não podíeis, distinguir, e que poderíeis ter morto sem o saber, incorrendo, assim, inconscientemente, num crime hediondo, Ter-vos-íamos facultado combatê-lo; foi assim estabelecido, para que Deus pudesse agraciar com a Sua misericórdia quem Lhe aprouvesse. Se vos tivesse sido possível separá-los, teríamos afrontado os incrédulos com um doloroso castigo.

25. Quando os incrédulos fomentaram o fanatismo - fanatismo da idolatria - em seus corações Deus infundiu o sossego em Seu Mensageiro e nos fiéis, e lhes impôs a norma da moderação, pois eram merecedores e dignos dela; sabei que Deus é Onisciente.

26. Em verdade, Deus confirmou a visão do Seu Mensageiro: Se Deus quisesse, entraríeis tranquilos, sem temor, na Sagrada Mesquita; uns com os cabelos raspados, outros com os cabelos cortados, sem medo. Ele sabe o que vós ignorais, e vos concedeu, não obstante isso, um triunfo imediato.

27. Ele foi Quem enviou o Seu Mensageiro com a orientação e com a verdadeira religião, para fazê-las prevalecer sobre todas as outras religiões; e Deus é suficiente Testemunha disso.

28. Mohammad é o Mensageiro de Deus, e aqueles que estão com ele são severos para com os incrédulos, porém compassivos entre si. Vê-los-ás genuflexos, prostrados, anelando a graça de eus e a Sua complacência. Seus rostos estarão marcados com os traços da prostração. Tal é o seu exemplo na tora e no Evangelho,(1509) como a semente que brota, se desenvolve e se robustece, e se firma em seus talos, compraz aos semeadores, para irritar os incrédulos. Deus prometeu aos fiéis, que praticam o bem, indulgência e uma magnifica recompensa.

Documentário RTP (link)

Castelo (hisn) de Coina-a-Velha



Vestígios de uma fortificação medieval designada por castelo de Coina-a-Velha ainda podem ser observados no sítio do Casal do Bispo, perto da Aldeia-de-Irmãos em Azeitão. Trata-se de uma propriedade muito antiga que, segundo Joaquim Rasteiro, fazia parte da “Herdade da Infanta”, em finais do século XV. Pertenceu ao infante D. João, filho de D. João I e seus descendentes, e foi vendida em 1528 a Brás de Albuquerque, juntamente com a Bacalhoa. Em 1545 a propriedade foi adquirida por D. Belchior Beliago, o bispo de Fez que acabou por dar o nome à actual propriedade – Casal do Bispo – edificando uma casa nas proximidades do castelo.

De acordo com o mesmo autor, nos finais do século XIX ainda era possível encontrar os restos das estruturas do recinto amuralhado, com uma cerca circunscrevendo toda a escarpa. O autor descreve duas torres, uma no topo Sul da plataforma que encima o monte escarpado, com 9 x 6 metros de lado, e outra mais pequena a 30 metros para Leste da primeira. Também refere uma cisterna de grandes dimensões, com 8,40 x 6,30 metros de lado, com abóbadas de alvenaria e paredes internas revestidas a estuque vermelho (1). Por fim, aponta a Oeste, no sopé do monte, um conjunto de “matmoras” interpretadas como silos (Rasteiro, 1897). Isabel Cristina Fernandes, por seu turno, descreve os restos estruturais de uma pequena alcáçova em crescente ruína, ainda conservando vestígios do seu revestimento avermelhado.

A autora teve oportunidade de recolher alguns exemplares de cerâmica comum de produções muçulmanas, sobretudo formas fechadas (panelas e jarros) de peças omíadas, algumas das quais apresentando «bandas pintadas a branco sobre pasta grosseira, castanha» (Fernandes, 2004).
in FERNANDES, Isabel Cristina Ferreira (2004) – O Castelo de Palmela do domínio islâmico ao cristão

Com vestígios de ocupação romana, islâmica e cristã, o hisn de Coina implanta-se num monte escarpado, paralelo ao Cabeço dos Caracois, contornado pelas ribeiras do Alambre e de Coina, de difícil acesso a Norte, Leste e Oeste. Reveste-se de uma natural importância estratégica, não só pela facilidade de articulação em acções de defesa entre os Castelos de Palmela e Sesimbra, mas também na defesa contra forças que através do Portinho da Arrábida quisessem penetrar na península da Arrábida. Uma implantação geo-estratégica que pode ter justificado um ribat destruído aquando dos recontros entre muçulmanos e cristãos em 1191, nunca mais reconstruído, embora seja mencionado no testamento de D. Sancho I (Rasteiro, 1897).

in FERNANDES, Isabel Cristina Ferreira (2004) – O Castelo de Palmela do domínio islâmico ao cristão

Importa aqui referir que no decorrer da nossa investigação in loco verificámos, em todas a cintura do cabeço de Coina-a-Velha, uma diversificada e sugestiva concentração de residuais topónimos históricos: o caminho que nos leva até ao arqueossítio do Casal do Bispo tem no seu início uma placa de mármore com a inscrição “Estrada dos Romanos”; no sopé da vertente Nordeste do cabeço encontramos a “Quinta do Lapidário”; na vertente Sul, na Aldeia dos Topos, acrescentam-se as quintas da “Ermida”, “Abades” e “Santa Madalena”.

De referir, ainda, os hidrónimos “Ribeira de Coina”, “Ribeira do Alambre”, “Fonte Santa”, “Porto da Vila” e “Porto de Cambas”, os dois últimos sugerindo portos na base do cabeço de Coina-a-Velha, comprovando a antiga navegabilidade daquelas linhas hidrográficas até aos esteiros do Tejo, na zona da Moita. Uma série de vestígios toponímicos que nos remetem para um intenso passado romano, islâmico e cristão.


Numa visita que intentamos ao local (2) confirmámos as nossas suspeitas aferidas a partir da imagem de Google Earth: actualmente o arqueossítio encontra-se em parte coberto por uma densa vegetação, praticamente destruído sob o edificado habitacional em expansão e remodelação desde o século XVI. Falamos de uma grande casa “acastelada”, com mirantes e alpendres, bem visível da estrada Aldeia-de-Irmãos/Portinho da Arrábida, no alto do cabeço contornado pela Ribeira do Alambre.

Ainda acerca do sítio de Coina-a-Velha, Joaquim Rasteiro relata uma curiosa e reincidente lenda que conta que os mouros deixaram três casas subterrâneas: uma cheia de armas, já aberta (a cisterna), outra cheia de ouro e outra com peste, pelo que ninguém se atreveu a procurar o ouro com receio de encontrar a peste (Rasteiro, 1897).

Segundo Jorge Alarcão, a via romana que ligava Olisipo a Emerita Augusta passava primeiro por Equabona e Caetobriga«a via partia provavelmente do Seixal»; «Equabona, distante 12 milhas de Olisipo, corresponde possivelmente a Coina-a-Velha», uma das aldeias da freguesia de S. Lourenço. Joaquim Rasteiro, por seu turno, transcreve uma nota de José Leite de Vasconcellos onde se lê: «A palavra Coina representa ainda, quanto a mim, a antiga Equabona, designação de uma conhecida cidade da Lusitânia. A série das formas por que a palavra primitiva passou até hoje poderá ter sido a seguinte: Equábona>(E)quab(o)na>Cauna>Couna>Colna. A pronúncia popular actual supponho que é Côina, e não Cóina, que é litteraria».


(1) «A cor vermelha resulta da aplicação de um tratamento contra a eutropização das águas, à base de óxido de ferro, resina e argilas vermelhas.» (Fernandes, 2004).
(2) Em meados de Maio de 2009 tentámos visitar o Castelo de Coina-a-Velha, visto o arqueossítio se encontrar no interior de uma propriedade privada procuramos o proprietário que rudemente nos expulsou sem qualquer abertura ao diálogo. Ainda assim conseguimos identificar os restos de uma estrutura murada associada a cerâmicas de construção de aspecto grosseiro e antigo.

Outros arqueossítios islâmicos da Arrábida (ou não!)

Cruzando a leitura das paisagens, os indicadores toponímicos, a informação histórica e os dados da Arqueologia, é possível confirmar uma intensa ocupação rural islâmica predominante a Sul da península da Arrábida, “intramuros” da cintura defensiva delineada pelos husūn (circunscrições defensivas, administrativas e fiscais) de Palmela, Coina, Sesimbra e Almada. Além destes castelos, o sistema defensivo era reforçado pelo entrecruzamento de ângulos territoriais de defesa e comunicação estabelecidos com a guarnição de ribats e atalaias.

Importa referir que no elenco dos sítios que sugerimos ressaltam alguns que não constituem verdadeiros arqueossítios, mas que pela sua implantação e indicadores toponímicos reúnem fortes probabilidades de ocupação islâmica, damos como exemplo o Convento da Arrábida; e outros, que não tendo seguros vestígios de ocupação islâmica entendemos merecerem a sua inclusão e desmistificação (exemplo do “Castelo dos Mouros”).

Legenda:
  1. Castelo (hisn) de Palmela
  2. Palmela – centro histórico
  3. Alcaria do Alto da Queimada – Serra do Louro
  4. Cumeada da Serra de São Luís
  5. Setúbal – área urbana
  6. Mouguelas
  7. Outão
  8. Praia dos Coelhos/Galapos
  9. Creiro
  10. Convento da Arrábida
  11. “Castelo dos Mouros”
  12. Castelo (hisn) de Coina-a-Velha
  13. Castelo (hisn) de Sesimbra
  14. Vale da Vitória – Terras do Risco
  15. Lapa do Fumo – Serra dos Pinheirinhos
  16. Azóia
  17. Ermida da Memória – Cabo Espichel

Por Miguel Amigo & Ricardo Soares

Referências bibliográficas:

  • ALARCÃO, Jorge de (1988) – O Domínio Romano em Portugal – Pub. Europa-América, Mem Martins.
  • ALVES, Adalberto (2007) – Portugal e o Islão Iniciático – Ésquilo, Lisboa.
  • CATARINO, Helena Maria Gomes (2000) – Topónimos Arrábida e a Serra da Arrábida – Sesimbra Cultural, Ano 1, nº 1, Câmara Municipal de Sesimbra.
  • COELHO, António Borges (1972) – Portugal na Espanha Árabe – vol. I, ed. Seara Nova, Lisboa.
  • FERNANDES, Isabel Cristina Ferreira (2004) – O Castelo de Palmela do domínio islâmico ao cristão – Ed. Colibri, Câmara Municipal de Palmela.
  • RASTEIRO, Joaquim (1897) – Notícias archeologicas da Peninsula da Arrábida – O Arqueólogo Português, vol. III, Lisboa.
  • RIBEIRO, Orlando (2004) – A Arrábida. Esboço Geográfico – Fundação Oriente, Câmara Municipal de Sesimbra.
  • SILVA, Carlos Manuel Lindo Tavares da; SOARES, Joaquina (1986) – Arqueologia da Arrábida – Parques Naturais. Lisboa: Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza.

Esquemas de Google Earth de Coina-a-Velha criados por António Carvalho (obrigado!)


Complexo romano do Creiro | Portinho da Arrábida

Complexo de cetárias implantado na encosta da Praia do Creiro/Portinho da Arrábida (Setúbal/São Lourenço), entre Tróia/Setúbal e Sesimbra. O sítio arqueológico foi escavado em 1987 sob a direcção de Carlos Tavares da Silva. A fábrica de salga apresenta planta rectangular, com 13 m de comprimento (direcção ENE-WSW) e 4,6 e 4,8 de largura. Foi completamente murada e possui onze tanques e um pátio que abre para o exterior, a sul. Apresenta uma abertura de 1,4 m no lado sul, servida por soleira formada por dois grandes blocos de calcário conquífero com pequeno degrau frustamente talhado. É admissível acreditar na construção desta fábrica em meados/terceiro quartel do século I d.C. funcionando até cerca dos finais do mesmo século. Voltou a ser ocupada durante o século IV, inícios do século V e depois mais tarde, durante o século XII, com a presença de materiais marcadamente islâmicos - Base de Dados Endovélico


Opus signinum
Complexo termal
Frigidarium com vestígios de revestimento de mármore
Condutas de água