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Museu Geológico de Lisboa



"o museu dos museus"



As décadas de 50 e 60 do século XIX viram nascer os nossos dois primeiros museus arqueológicos: em 1857, o Museu dos Serviços Geológicos, aquando da criação da primeira Comissão dos Trabalhos Geológicos; e, em 1864, o Museu Archeologico do Carmo, graças à então designada Sociedade dos Architectos e Archeologos Portuguezes.
Pode dizer-se que a Geologia e a Arqueologia portuguesas surgiram em 1857 com a criação da Comissão Geológica, um dos primeiros organismos do género a ser criado na Europa e no Mundo ("Serviços Geológicos Nacionais”). A Comissão Geológica foi chefiada por Carlos Ribeiro e Pereira da Costa, sendo instalada em edifício próprio, em 1859, no antigo Convento de Jesus, ou seja, no local hoje ocupado pelo Museu Geológico. Embora posteriormente tenha mudado várias vezes de nome, foi a partir deste momento que se deu sequência aos estudos geológicos do País, os quais atingiram um nível e um desenvolvimento notáveis, mesmo internacionalmente.
Além dos dois cientistas atrás citados, trabalharam para aquela Comissão alguns dos maiores vultos da Geologia portuguesa daquela época: Nery Delgado, J. Berkeley Cotter, Alfredo Bensaúde, F. Paula e Oliveira, Wenceslau de Lima e, a partir de 1878, Paul Choffat, que foi incumbido de estudar os terrenos mesozóicos. Carlos Ribeiro, que tinha chefiado a Comissão, morre em 1882, tendo sido substituído por Nery Delgado até 1908, data da sua morte.
Durante este período realiza-se uma obra notável, tendo-se publicado a carta geológica do País à escala de 1:500.000, uma das primeiras do Mundo (edições de 1876, 1878 e 1899), além de vários estudos monográficos sobre o Paleozóico e o Mesozóico, que ainda hoje constituem uma referência.
Em 1918 deu-se a primeira reestruturação administrativa que origina a fundação dos “Serviços Geológicos de Portugal”, juntamente com o Serviço de Fomento Mineiro e a Direcção Geral de Geologia e Minas, que passaram a constituir, nos anos noventa, o Instituto Geológico e Mineiro.
Com a morte de Nery Delgado e Paul Choffat entra-se num período de decadência, o qual só irá ser superado, muitos anos mais tarde, com os meios postos à disposição pelos sucessivos Planos de Fomento. O desaparecimento dos grandes pioneiros da Geologia e da Arqueologia portuguesas, aliado a dificuldades funcionais de vária ordem, levaram ao declínio temporário da actividade do Museu, reabilitada, em meados dos anos quarenta, com novas doações financeiras e materiais e com a abertura do serviço a colaboradores externos.
Georges Zbyszewski, do quadro dos Serviços Geológicos, e Carlos Teixeira da Universidade de Lisboa, revelaram-se os grandes impulsionadores do principal projecto dos Serviços, a cartografia sistemática do país a escalas mais detalhadas, trabalho de que resultou um aumento muito significativo das colecções do museu, que foi acompanhado por uma importante remodelação dos equipamentos e exposições existentes à data.
Mais tarde, a partir de 1975, os Serviços Geológicos de Portugal experimentaram um notável desenvolvimento da sua actividade, graças aos meios financeiros e humanos disponibilizados. Este facto permitiu aumentar, substancialmente, o conhecimento geológico do território, acelerar o ritmo de publicações das cartas geológicas, bem como alargar o seu âmbito aos domínios da hidrogeologia e da geologia marinha.
No que respeita à colecção geológica, pode dizer-se que o ritmo com que entraram peças no museu até às primeiras décadas do século XX abrandou ao longo do tempo em consequência, sobretudo, da mudança das estratégias e metodologias com que são conduzidos, actualmente, os levantamentos geológicos. Continua, todavia, a registar-se a entrada de peças, provenientes, quer dos trabalhos de campo para as cartas geológicas, quer de doações ou de compras pontuais.
Na área da Arqueologia, além dos Doutores G. Zbyszewski e de O. da Veiga Ferreira, foram muitos os autores de trabalhos cujos materiais muito enriqueceram as colecções do Museu Geológico. Na impossibilidade de referir todos, devem destacar-se, pelo menos, os irmãos Fontes, Abel Viana e Henri Breuil, na primeira metade do século XX, e Afonso do Paço, H. Vaultier, M. Leitão, C.T. North e Norton, até aos anos setenta.
Em 2003, dá-se uma nova reestruturação e o Instituto Geológico e Mineiro é extinto, passando o Museu Geológico para a alçada do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), que funciona como um organismo do Ministério da Economia e Inovação.
Em 2003 o Museu Geológico passou a estar integrado na Rede Portuguesa de Museus, dadas as suas notáveis características museológicas, científicas e históricas.

Links:


Gruta da Furninha | Peniche

Aberta nas falésias calcárias do rebordo Sul da península de Peniche, cerca de 15 metros acima do actual nível médio do mar, a Gruta da Furninha foi integralmente escavada por Nery Delgado (Comissão Geológica) por altura do Congresso de Lisboa de 1880.

A cavidade cársica desenvolve-se por cinco áreas distintas: o átrio exterior, onde aflora a rocha de base; o corredor de entrada, com uma altura superior a 4 metros e uma largura média de cerca de 3,5 metros, onde a espessura dos sedimentos aumentava gradualmente em direcção ao interior da gruta, atingindo cerca de 1 metro na ampla sala central; a sala NW, separada da anterior por um estrangulamento sifonado bastante marcado; o corredor em cotovelo que da sala central se dirige para nascente e em cuja base se abre um poço, que após escavado o seu depósito revelou uma sequência sedimentar com cerca de 11 metros de potência. A base deste poço deve comunicar com uma pequena galeria que se abre na base da escarpa, ao nível do mar, onde actualmente ainda é possível observar uma brecha com indústria e fauna plistocénica.

Nery Delgado identificou e descreveu dois grandes horizontes estratigráficos: o "entulho superior" – uma necrópole neo-calcolítica com restos ósseos de 140 indivíduos (Neolítico Antigo e Neolítico Final/Calcolítico); e as "areias quaternárias" nas quais se registaram abundantes vestígios faunísticos e artefactos atribuíveis ao Acheulense e Paleolítico Médio. Entre os materiais do "entulho superior" foi isolada uma ponta Gravettese e uma folha de loureiro Solutrense. A generalidade dos foliáceos, atribuídos por alguns autores ao Solutrense, corresponde, na realidade, a punhais líticos do Neolítico.


Entrada/átrio exterior

Corredor de entrada

Sala central e estrangulamento sifonado
Sala central e corredor em cotovelo

Poço escavado por Nery Delgado
Cerâmicas do Neolítico Antigo
Liks:


the mind in the cave

Roça do Casal do Meio | cerâmicas do Bronze Final


Registo fotográfico de espólio cerâmico

Bronze Final do monumento funerário da Roça do Casal do Meio
(Sesimbra)
O Bronze Final na região da Serra da Arrábida e Serra do Risco
Ricardo Soares
(Faculdade de Letras - Lisboa)


Museu Geológico de Lisboa

Links:
Roça do Casal do Meio (Endovélico)

Fotografia de Ricardo Soares & Sara Navarro


O Bronze Final na Região da Serra da Arrábida
(Setúbal/Sesimbra)
o Estado da Investigação e os Novos Dados
as Paisagens, as Grutas-Santuário, o Porto(inho) da Arrábida
e outros aspectos
(no prelo)
Ricardo Soares
(2012)
Dissertação de Mestrado em Arqueologia
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Gruta da Furninha | cerâmicas do Neolítico Antigo




Registo fotográfico de espólio cerâmico
Neolítico Antigo da Gruta da Furninha
(Peniche)
"Potes e Transfigurações"
Sara Navarro
(Faculdade de Belas Artes - Lisboa)






Museu Geológico de Lisboa

Links:
Gruta da Furninha (Endovélico)

Fotografia de Ricardo Soares & Sara Navarro