Parque Arqueológico do Vale do Côa/Penascosa

Pouco mais de um quilómetro para montante, mas na margem oposta, situa-se o sítio da Penascosa. Nesta zona de vale mais aberto o rio forma uma praia relativamente extensa, cujas areias poderão estar a tapar mais rochas gravadas para além das que já são conhecidas. A topografia do local é propícia ao estabelecimento de acampamentos, e deve ter sido em tal contexto de habitat que tiveram lugar as actividades artísticas aqui documentadas. Porém, as escavações realizadas revelaram a ausência de níveis arqueológicos que comprovassem tais ocupações, os quais devem ter sido erodidos no início do Holocénico (o período geológico em que vivemos actualmente). Os depósitos fluviais actualmente observáveis no fundo do vale são relativamente recentes, a sua parte superior tendo sido acumulada apenas no decurso do último milénio.
Boa parte dos suportes das gravuras parece estar num estado adiantado de fragmentação. Uma vez que há diversos exemplos de gravuras desenhadas de modo a aproveitar os espaços definidos pelos blocos fragmentados, pode deduzir-se que seria já esse o aspecto das rochas no Paleolítico, quando foram gravadas. Tal como na Canada do Inferno, todas as figuras conhecidas foram feitas sobre as superfícies verticais criadas pela clivagem dos xistos. Para além dos painéis mais conhecidos, com gravuras executadas por picotagem e por abrasão, foram recentemente descobertas algumas rochas profusamente gravadas com motivos filiformes.

Embora a representação de cavalos e cabras no mesmo painel pareça ser a forma mais frequente de associação entre diferentes espécies animais, a associação cavalo-auroque, típica da arte paleolítica, está igualmente bem documentada. Entre os motivos representados contam-se também alguns signos e peixes. Particularmente interessante é o facto de serem comuns as representações em que o artista procurou transmitir a ideia de movimento. Um dos melhores exemplos disso é uma possível cena de acasalamento em que uma égua é coberta por um cavalo cujas três cabeças procuram, tal como se faz na moderna banda desenhada, transmitir a ideia de um movimento descendente do pescoço.

Hipogeus da Quinta do Anjo

Palmela | Quinta do Anjo
As quatro grutas artificiais da Quinta do Anjo, também conhecidas por Grutas do Casal do Pardo ou Covas da Moura, foram utilizadas como necrópole entre o Neolítico Final e o Calcolítico. A planta dos dois monumentos melhor conservados apresenta câmara funerária circular abobadada, com pequena abertura/clarabóia na cúpula, ante-câmara ovalada e corredor rectilíneo. As primeiras investigações arqueológicas devem-se a Carlos Ribeiro (1876) e Inácio Marques da Costa (1907).
As Grutas III e IV foram praticamente destruídas pela exploração de uma pedreira durante o séc. XIX.
Clarabóia e câmara funerária da gruta I

Antecâmara da gruta I


Antecâmara da gruta II



Interior da câmara funerária da gruta II

Clarabóia da gruta II
Homenagem a Carlos Ribeiro
Dr. Carlos Tavares da Silva em visita guiada ao local, por ocasião dos 150 anos sobre a data de nascimento de António Inácio Marques da Costa - 23 de Junho de 2007
Outras visitas...

Bibliografia consultada:
SOARES, Joaquina (2003) – Os hipogeus Pré-Históricos da Quinta do Anjo (Palmela) e as economias do simbólico. Setúbal: Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal/Assembleia Distrital de Setúbal.

Complexo romano do Creiro | Portinho da Arrábida

Complexo de cetárias implantado na encosta da Praia do Creiro/Portinho da Arrábida (Setúbal/São Lourenço), entre Tróia/Setúbal e Sesimbra. O sítio arqueológico foi escavado em 1987 sob a direcção de Carlos Tavares da Silva. A fábrica de salga apresenta planta rectangular, com 13 m de comprimento (direcção ENE-WSW) e 4,6 e 4,8 de largura. Foi completamente murada e possui onze tanques e um pátio que abre para o exterior, a sul. Apresenta uma abertura de 1,4 m no lado sul, servida por soleira formada por dois grandes blocos de calcário conquífero com pequeno degrau frustamente talhado. É admissível acreditar na construção desta fábrica em meados/terceiro quartel do século I d.C. funcionando até cerca dos finais do mesmo século. Voltou a ser ocupada durante o século IV, inícios do século V e depois mais tarde, durante o século XII, com a presença de materiais marcadamente islâmicos - Base de Dados Endovélico


Opus signinum
Complexo termal
Frigidarium com vestígios de revestimento de mármore
Condutas de água