Nature transfigurations & Pots



"Bugalho" é a denominação popular para uma excrescência, de forma arredondada, que se forma em algumas espécies de árvores e arbustos do género Quercus (carvalhos, sobreiros, azinheiras e carrascos) na sequência do depósito, num dos seus ramos, de um ovo de vespa. A vespa desenvolve-se e alimenta-se no interior do bugalho, onde passará por todas as fases das suas metamorfoses (larva, ninfa e insecto adulto), até sair para o exterior escavando um pequeno buraco.



A bolota é o fruto produzido por algumas árvores do género Quercus - azinheira, carvalho e sobreiro. O seu elevado valor proteico foi explorado desde a Pré-história, estes frutos eram torrados e depois farinados. É composta por uma glande (fruto), uma cúpula espinhosa e um pequeno pedúnculo. Ao longo da história, estes frutos ganharam um recorrente valor simbólico, nomeadamente em representações de ouro durante a Idade do Ferro.

Alcachofra de São João
(Cynara cardunculus)


"Ídolos Pinha" e "Ídolos Alcachofra"
(Lapa do Bugio/Sesimbra)

Estes artefactos têm sido interpretados enquanto representação de um bolbo da flor de lótus, de uma pinha ou de uma flor de palmeira. Também são conhecidos por “ídolos pinha” e “ídolos alcachofra”, por um deles se assemelhar morfologicamente ao capítulo da alcachofra de São João antes de desabrochar (Cynara cardunculus), o que poderá associar-se a remotas práticas queijeiras, enquanto coagulante do leite.




Gruta da Furninha | Peniche

Aberta nas falésias calcárias do rebordo Sul da península de Peniche, cerca de 15 metros acima do actual nível médio do mar, a Gruta da Furninha foi integralmente escavada por Nery Delgado (Comissão Geológica) por altura do Congresso de Lisboa de 1880.

A cavidade cársica desenvolve-se por cinco áreas distintas: o átrio exterior, onde aflora a rocha de base; o corredor de entrada, com uma altura superior a 4 metros e uma largura média de cerca de 3,5 metros, onde a espessura dos sedimentos aumentava gradualmente em direcção ao interior da gruta, atingindo cerca de 1 metro na ampla sala central; a sala NW, separada da anterior por um estrangulamento sifonado bastante marcado; o corredor em cotovelo que da sala central se dirige para nascente e em cuja base se abre um poço, que após escavado o seu depósito revelou uma sequência sedimentar com cerca de 11 metros de potência. A base deste poço deve comunicar com uma pequena galeria que se abre na base da escarpa, ao nível do mar, onde actualmente ainda é possível observar uma brecha com indústria e fauna plistocénica.

Nery Delgado identificou e descreveu dois grandes horizontes estratigráficos: o "entulho superior" – uma necrópole neo-calcolítica com restos ósseos de 140 indivíduos (Neolítico Antigo e Neolítico Final/Calcolítico); e as "areias quaternárias" nas quais se registaram abundantes vestígios faunísticos e artefactos atribuíveis ao Acheulense e Paleolítico Médio. Entre os materiais do "entulho superior" foi isolada uma ponta Gravettese e uma folha de loureiro Solutrense. A generalidade dos foliáceos, atribuídos por alguns autores ao Solutrense, corresponde, na realidade, a punhais líticos do Neolítico.


Entrada/átrio exterior

Corredor de entrada

Sala central e estrangulamento sifonado
Sala central e corredor em cotovelo

Poço escavado por Nery Delgado
Cerâmicas do Neolítico Antigo
Liks:


the mind in the cave

Igreja de São Pedro | Grândola


No sentido de acolher o futuro núcleo museológico municipal de Grândola, a Igreja de São Pedro encontra-se em obras de recuperação. Pelo facto da referida intervenção prever infra-estruturas que afectam o subsolo, tornou-se necessário proceder à sua escavação arqueológica – «a investigação arqueológica irá permitir um conhecimento mais aprofundado sobre a história desta igreja e o estudo antropológico do espólio osteológico».
Mais informações no (excelente) Blog da Escavação




Agradeço a amável recepção da Dr.ª Rosália Chainho (Câmara Municipal de Grândola)
e à equipa de Antropologia/Arqueologia,
na pessoa da Dr.ª Carmen Carvalho (antropóloga C.M.G.)