Azenha do Mar


Na Praia da Seiceira (Brejão | Odemira), entretanto renomeada popularmente por Praia da Amália pelo facto da célebre diva do fado ali ter construído a sua casa de praia, encontra-se abandonado um interessante engenho de moagem - a Azenha do Mar. Esta recordação etnográfica deverá estar na origem do topónimo "Azenha do Mar", um pequeno porto entre Odeceixe e Odemira.


Lapa da Cova | Arrábida | Sesimbra



O geomonumento da Lapa da Cova localiza-se na vertente sul da Serra do Risco, em Sesimbra, perto da povoação de Pedreiras, a cerca de 3 km do “epicentro” do povoado do Risco. Apresenta-se na cota dos 260 m da mais elevada arriba calcária da Europa continental. Trata-se de uma cavidade cársica fóssil, constituída por duas salas, abertas em unidades sedimentares do Jurássico Médio (J2 pe) pela suposta combinação da actividade tectónica com a acção hídrica. A cavidade desenvolve-se ao longo de uma diaclase principal, longitudinal à sala de entrada, de orientação aproximada sudeste-noroeste (da entrada para o interior), sendo cruzada por outras diaclases secundárias.


Morfologicamente, e muito genericamente, a Lapa da Cova caracteriza-se por uma galeria principal ascendente, com um irregular desnível do chão com cerca de 10 m, ao longo de cerca de 30 m de profundidade. Tem cerca de 10 m de largura média, 15 m de altura à entrada e 2 m no topo. No topo existe uma plataforma que comunica, à direita, através de uma rampa descendente, com uma pequena galeria apendicular, alvo prioritário da escavação a que foi sujeita. A galeria principal apresenta um desarranjo estrutural, um caos de blocos de grandes dimensões, colmatados, no topo da sala, por “recentes” (na Era geológica) depósitos sedimentares margo-argilosos, fenómeno que também contribui para a difícil interpretação da sua génese geomorfológica. De acrescentar, ainda, a pobreza de fenómenos de concrecionamento.
Em termos ambientais, estamos perante uma cavidade senil e muito seca. À medida que se penetra no seu interior, subindo o seu desnível, a temperatura aumenta e estabiliza gradualmente (+/- 20/22º de temperatura – média anual da envolvente do sítio), enquanto a luz se perde na penumbra, dando lugar à total escuridão no interior da pequena galeria no topo.

O seu microtopónimo é interessante, pelo facto de ser redundante: “Lapa da Cova”. O acesso ao sítio não é fácil, pela sinuosidade, inclinação e vegetação da escarpa onde se localiza, podendo ser feito por baixo, a partir do mar, subindo penosamente pela enseada da Cova/Calhau da Cova (Cabo de Ares); ou por cima, a partir do topo da arriba, por uma rampa natural, ou pela meia encosta poente, aproveitando o ligeiro degrau proporcionado pelo topo de um cone de dejecção.


A manifesta relação desta gruta com o mar merece realce, partindo-se de um conjunto de observações realizadas in loco. Desde logo, o contacto visual com a Cova só é possível a partir do mar – um “grande buraco negro” em fundo calcário claro. Proveniente de sul, qualquer embarcação consegue facilmente vislumbrar o “buraco” da Cova a uma distância considerável, revelando-se, esta, como uma boa referência visual. Na verdade, as embarcações oriundas de sul (designadamente do Mediterrâneo), após dobrarem o Cabo de São Vicente/Sagres, e seguindo uma rota aos 0º (norte), podem, em dias de boa visibilidade, descortinar a silhueta da Arrábida a partir de Sines, na forma de um verdadeiro marco paisagístico para a entrada no estuário do Rio Sado, transversal à linha de costa - ver link. A própria Lapa da Cova é visível a longa distância, o que contribui para a sua natural relevância no horizonte de eventuais “rituais de chegada” – antigos navegantes que agradeceriam o sucesso das suas épicas viagens, gratificando os seus deuses com cultos, oferendas e rituais de comensalidade. Neste sentido, torna-se possível imaginar esta cavidade enquanto “santuário natural de chegada”, nomeadamente para marinheiros fenícios. Ainda a este propósito, será oportuna a referencia ao episódio homérico de Odisseu na Gruta do Ciclope.


A partir de dentro, do seu “altar” no topo, e olhando para o exterior, apenas se avista o azul do mar – “ouro sobre azul!”. Da sua monumental entrada, em “arco gótico”, é possível controlar visualmente a desembocadura do Sado, os recortes do seu estuário e a “ponta” de Abul, sendo praticável algum grau de intercomunicação com este estabelecimento (fogo e fumo). Em dias de excepcional visibilidade, o olhar pode percorrer toda a costa sul, a partir de Tróia, e, no limite do alcance visual, torna-se mesmo possível vislumbrar a Serra de Monchique (a grande referência paisagística para o Promontorium Sacrum).


No que diz respeito à Arqueologia, a sua caracterização foi realizada no contexto dos trabalhos de prospecção para a nova carta arqueológica do concelho de Sesimbra (2007-2009 - Calado et al., 2009). A preliminar interpretação cronológica, apenas baseada em materiais cerâmicos de superfície, acabou por ser corroborada, em Outubro de 2009, pela descoberta ocasional de um brinco de ouro, correspondente a cronologias relativas da 1.ª Idade do Ferro. Neste contexto, e face às recentes notícias de destrutivas actividades detectoristas, foi interposto um pedido de escavação à entidade tutelar (IGESPAR) que, sendo deferido, enquadrou legalmente os trabalhos de limpeza e escavação, iniciados em Janeiro de 2010. Ao abrigo de um protocolo com a Câmara Municipal de Sesimbra, a escavação tem sido dirigida, desde então, pelo Dr. Mário Carvalho, sob a coordenação científica do Professor Doutor Manuel Calado, contando na equipa com o signatário (Ricardo Soares - FLUL), Miguel Amigo (FBAUL) e com o apoio espeleológico de alguns membros do CEAE-LPN (Centro de Estudos e Actividades Especiais da Liga para a Protecção da Natureza), designadamente Rui Francisco. Optou-se por uma equipa reduzida, com experiência e formação espeleológica, tendo em conta as especificidades do sítio e as limitações espaciais e logísticas.

2.º prémio na categoria "Escavações e outros trabalhos de campo
no 1.º Concurso de Fotografia da Associação de Arqueólogos Portugueses
A interpretação das estratigrafias em contexto de gruta constitui, por vezes, um processo particularmente complexo, por estas se apresentarem afectadas por intensos fenómenos de bioturbação. No caso da Lapa da Cova, observou-se uma estratigrafia pouco espessa e bastante perturbada, pelo facto de ter sido intensamente utilizada, em época recente, como curral de caprídeos (facto documentado artefactualmente por objectos de “arte de pastor”) e, até à actualidade, por um “bando” de cabras assilvestradas, além dos habituais pequenos roedores e texugos, amplamente documentados por restos ósseos. Ainda assim, tem sido possível avançar alguns considerandos.


Os dados preliminares da escavação foram, em parte, partilhados no seu blogue (SAFA - Santuários Fenícios da Arrábida), apontando, segundo os responsáveis, para uma ocupação mágico-religiosa no decorrer da 1.ª Idade do Ferro. De salientar o facto de não ter sido identificado qualquer vestígio antropológico durante a escavação, o que remete para uma utilização exclusivamente sagrada enquanto santuário, ficando excluída a hipótese funerária. Acresce o registo, no patamar superior da galeria principal, de um grande depósito de cinzas, insinuando um provável “altar de fogo”, dejectando, em cone, para a pequena sala apendicular, que parece ter servido de espaço de amortização da maior parte dos materiais registados (depósito votivo? restos de rituais de comensalidade?).
Esta atribuição crono-funcional foi documentada por abundantes artefactos de origem mediterrânea: uma boa quantidade de cerâmica a torno, correspondente a um diversificado conjunto de recipientes (cerca de 30/40), na sua maioria contentores (ânfora e pithoi); um cossoiro; cerca de duas centenas de contas de colar (cornalina, pasta vítrea e outras matérias-primas mais residuais – quartzo hialino, olivina e osso); objectos de bronze (uma fíbula muito fragmentada e de difícil caracterização, um botão cónico com duplo apêndice de preensão, um espeto/obelos, uma “mãozinha”, possivelmente proveniente de uma pega de braseira, e dois pequenos presumíveis ponderais); e peças de adorno em ouro (um brinco, uma arrecada e uma pequena conta esférica).


Além destes materiais, na globalidade remetendo para proveniências mediterrâneas, também foram exumados residuais fragmentos de cerâmica manual, de aparente produção local/indígena e atribuíveis ao Bronze Final. No caminho de acesso à cavidade, a partir do mar, também foi registada a ocorrência de alguns fragmentos de cerâmica manual, tal como no acesso poente, a partir da Serra da Achada (nomeadamente um mamilo alongado). Atendendo ao isolamento e dificuldade de acesso ao sítio, talvez não seja de estranhar que os vestígios detectados se limitem exclusivamente à ocupação proto-histórica e à ocupação pastoril, já em época actual ou subactual. Na verdade, considerando o facto de a cavidade apenas poder ser vista do mar, sendo o seu acesso bastante “afoito”, é de admitir que a sua descoberta tenha sido feita por marinheiros.


Relativamente ao supracitado “botão de bronze”, às suas mais (re)correntes interpretações, enquanto acessório de vestuário ou de arreio de cavalo (sublinhando, neste caso concreto, que os seus orifícios não permitem passar tiras de couro), poderá acrescentar-se uma eventual função enquanto ponderal (suspensão pendular?), em associação à ocorrência de dois presumíveis ponderais de bronze no mesmo contexto. Esta possibilidade parte da interpretação dada a objectos em tudo similares, abundantemente registados em Cancho Roano [1] (finais do século VI/inícios do século IV a.C.).


Segundo Manuel Calado [2], tendo em conta que os materiais ainda se encontram em fase de estudo, “a genérica apreciação do conjunto artefactual propõe uma ocupação de razoável diacronia (alguns séculos), iniciada numa fase precoce da colonização fenícia”, considerando, designadamente, a existência de uma ânfora produzida em torno, apresentando uma cozedura redutora e ornatos brunidos, replicando o “gosto” da cerâmica indígena e sugerindo, por isso, um momento antigo do contacto – “santuário de chegada” (no duplo sentido). Porém, também parece claro que o grosso dos materiais exumados se enquadra num âmbito cronológico mais tardio e ajustado ao genérico panorama actualmente estabelecido, designadamente os pithoi e o “botão” metálico, com paralelos dentro dos séculos VI-V a.C. (por exemplo, Celestino Pérez, 2003; Arruda, 1999/2000).
Será neste contexto pertinente referir a eventual relação do “santuário natural” da Cova com o estabelecimento fenício de Abul, fundado ex novo em meados do século VII a.C. (Mayet e Silva, 2000) na margem direita do Sado, a meio caminho entre Setúbal e Alcácer. Trata-se de um edificado com alguns atributos funcionais de ordem sagrada, curiosamente alicerçado sobre um embasamento fundacional de brecha da Arrábida, constituído por peças na sua maioria de textura rolada (Mayet e Silva, 2000, p. 134). Este aspecto é interessante pelo facto de sugerir a recolha deste conglomerado geológico em algumas praias, em determinados pontos de ocorrência da costa da Arrábida – designadamente nas proximidades da Lapa da Cova.

Em suma, além da marcada ocupação durante a Idade do Ferro, será de considerar o conhecimento desta cavidade pelas comunidades indígenas, durante o Bronze Final, tendo em conta a sua proximidade relativamente ao(s) povoado(s) das Terras do Risco e ao monumento funerário da Roça do Casal do Meio. Isto pode implicar, por um lado, uma utilização anterior à Idade do Ferro (muito residualmente manifestada pela ocorrência de escassos fragmentos de cerâmica manual); por outro, durante a ocupação da Idade do Ferro, a provável convivência e partilha deste espaço e algum grau de participação nos rituais ali praticados, por parte dos indígenas do Risco, admitindo-se, mesmo, uma fundação exógena, relembrando o difícil acesso e a visibilidade exclusiva a partir do mar. Por fim, de referir, a cerca de 1.5/2 km para poente da Lapa da Cova, duas estações de ar livre enquadráveis na 1.ª Idade do Ferro, recentemente identificadas no âmbito dos trabalhos para a Carta Arqueológica de Sesimbra – Meia Velha e Casa Nova.


[1] “En definitiva, después de dar continuas vueltas a la cuestión y con los datos que nos ha proporcionado un nuevo análisis de estos botones, donde hemos tenido en cuenta su dispersión, medidas, peso y, fundamentalmente, su asociación con otros elementos aparecidos en el entorno donde fueron hallados, hemos concluido que los mismos podrían haber correspondido a los diferentes conjunto del sistema ponderal que tan bien representados están en el yacimiento” (Celestino Pérez e Zulueta, 2003, p. 67).
[2] Informação pessoal que se agradece, em parte publicada no referido blogue da escavação.

Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Ricardo Soares
2012-2013

Gone fishing? 42,000 years ago in East Timor


An archaeologist from the Australian National University has uncovered the world’s oldest evidence of deep sea fishing for big fish, showing that 42,000 years ago our regional ancestors had mastered one of our nation’s favourite pastimes. Professor Sue O’Connor of the College of Asia and the Pacific at ANU, also found the world’s earliest recorded fish hook in her excavations at a site in East Timor. The results of this work are published in the latest issue of Science.

The finds from the Jerimalai Cave site demonstrate that 42,000 years ago our regional ancestors had high-level maritime skills, and by implication the technology needed to make the ocean crossings to reach Australia. “The site that we studied featured more than 38,000 fish bones from 2,843 individual fish dating back 42,000 years”, said Professor O’Connor. “What the site in East Timor has shown us is that early modern humans in Island Southeast Asia had amazingly advanced maritime skills. They were expert at catching the types of fish that would be challenging even today – fish like tuna. It’s a very exciting find”. Professor O’Connor also uncovered the world’s oldest fish hook, which dates from a later period. “We found a fish hook, made from a shell, which dates to between 23,000 and 16,000 years ago. This is, we believe, the earliest known example of a fish hook and shows that our ancestors were skilled crafts people as well as fishers. The hooks don’t seem suitable for pelagic fishing, but it is possible that other types of hooks were being made at the same time”.

What’s still unknown is how these ancient people were able to catch these fast-moving deep-ocean fish. “It’s not clear what method the occupants of Jerimalai used to capture the pelagic fish or even the shallow water species. But tuna can be caught in purse seines or leader nets, or by using hooks and trolling. Simple fish aggregating devices such as tethered logs can also be used to attract them. So they may have been caught using hooks or nets. Either way it seems certain that these people were using quite sophisticated technology and watercraft to fish offshore”, said Professor O’Connor. She added that this may shed light on how Australia’s first inhabitants arrived on the continent. “We have known for a long time that Australia’s ancient ancestors must have been able to travel hundreds kilometres by sea because they reached Australia by at least 50,000 years ago. We also know that they used boats because Australia was separated from Southeast Asia by ocean throughout the human time span. When we look at the watercraft that Indigenous Australians used at the time of European contact, however, they are all very simple, like rafts and canoes. So how people got here at such an early date has always been puzzling. These new finds from Jerimalai cave go a long way to solving the puzzle”, said Professor O’Connor.


Fontes:


Beyond the Horizon


Château-Musée

Boulogne-sur-Mer

30.06.2012 - 05.11.2012


Sharing knowledge with the public means, in archaeology, a presentation of archaeological remains. A free exhibition will open in June 2012 centred around the replica of the boat built in Dover over the winter. Whilst Bronze Age maritime archaeology will be at its heart, several topics will be addressed: the environment, the boat and maritime archaeology, travel and exchange in the Bronze Age, specialised craftworking, and food and housing for a family around 1550 BC. The gold treasure of Guînes (Pas-de-Calais), kept at the French National Archaeology Museum (MAN), will be displayed to the public for the first time in the area of its discovery. Finds from France (from local excavations and MAN), Flanders and England (from Dover Museum and the British Museum) will be brought together for the first time. Films of excavations, experimental archaeology, 3D reconstructions and multimedia presentations will all form part of the exhibition. Particular attention will be given to children who will benefit from specially written information.on
 wil

Bronze Age in Cambridgeshire | Britain - six boats and hundreds of intact artefacts


Six boats hollowed out of oak tree trunks are among hundreds of intact artefacts from 3,000 years ago that have been discovered in the Cambridgeshire fens, the Observer can reveal. The scale, quality and condition of the objects, the largest bronze age collection ever found in one place in Britain, have astonished archaeologists – and barely a fraction of the site has been excavated. Unique textile fragments, wicker baskets and wooden sword handles have survived. There are even containers of food, including a bowl with a wooden spoon still wedged into the contents, now analysed as nettle stew, which may have been a favourite dish in 1000BC. The boats – two of which bear unusual decoration – are in such good condition that the wood grain and colour can be seen clearly, as can signs of repairs by their owners.

David Gibson, head of Cambridge University's archaeological unit, said the discoveries were internationally important. "One canoe would be great. Two, exceptional. Six almost feels greedy", he said. Mark Knight, the unit's senior project officer, added: "We talk about bronze age landscapes and it always feels as if we're looking through a very narrow window, with the curtains partly drawn or slightly misted over. Now it's as though someone's opened the windows and we're seeing so much more".

The artefacts survived because they were immersed in deep layers of peat and silt. When those layers are lifted off, "the objects are so pristine", Knight said, "it's as if 3,000 years never happened. The softest, wettest deposits ensured that past activity has been cosseted". The artefacts were submerged under an ancient watercourse along the southern edge of the Flag Fen Basin, land altered over millennia by rising sea levels. In the 17th century the Dutch showed how to drain waterlogged land, and today the site east of Peterborough is accessible. Knight said: "In our [bronze age] landscape… you could have walked along the bottom of the fenland basin and to the bottom of the North Sea hunting for deer. By the Roman period, you were perched up at Peterborough, looking out over a huge wet expanse of peat and reed swamp". At ground level, there had been no clue to the artefacts' existence because they were so deep – four metres below ground – and would not have been picked up by aerial, radar, or other exploratory surveys.

The excavation, which is likely to continue for years, has been made possible thanks to Hanson, a bricks and cement supplier. Under planning regulations, the company is obliged to fund archaeological digs, but it has been especially helpful, say the archaeologists. Crucially, and unusually, they were able to excavate down to unprecedented depths since Hanson's need for clay for bricks requires extraction at Jurassic age levels. Knight said: "So we get to see entire buried landscapes. Some of our colleagues try to find ways of getting to the bottom of the North Sea… [while] we get an early view of the same submerged space, but via the humble brick".

Along the 150-metre stretch of a bronze age river channel, they have found the best preserved example of prehistoric river life. There are weirs and fish traps in the form of big woven willow baskets, plus fragments of garments with ornamental hems made from fibrous bark and jewellery, including green and blue beads. Extensive finds of metalwork include bronze swords and spears, some apparently tossed into the river in perfect condition, possibly as votive offerings. One of the boats is 8.3 metres long. "It feels as if you could get the whole family – granny, grandad, a couple of goats and everything – in there", said Knight. The smallest boat is just over four metres long.

The finds reveal how, with the rise in water levels in the bronze age, people adapted to a wetland environment, using rivers for transport, living off pike, perch, carp and eel. How far they could travel in the log boats is unclear. Although the boats were unlikely to have been used at sea, one of the bronze age swords is of a type normally found in northern Spain. Once removed from the fenland, the artefacts must be conserved before eventual public display. Knight said: "Often at an excavation, it takes much imagination for it to become apparent. This site doesn't need that. It's intact. It feels as if we've actually caught up the [bronze age] people. It feels like we're there".

Fontes:

Archaeological Prospection 2013


10th International Conference on Archaeological Prospection


Austrian Academy of Sciences | Vienna


May 29th June 2nd 2013



The organizing committee and partner organizations are honoured to announce the 10th International Conference on Archaeological Prospection (AP2013) on behalf of the International Society for Archaeological Prospection (ISAP) and the Aerial Archaeology Research Group (AARG) to be held in Vienna/Austria from Wednesday May 29th until Sunday 2nd of June 2013. 



The AP 2013 Conference will be hosted by the Austrian Academy of Sciences, the Ludwig Boltzmann Institute for Archaeological Prospection and Virtual Archaeology and the Vienna Institute for Archaeological Science – University of Vienna. 

Formas de Terra e Fogo | Earth and Fire Shapes


A exposição Formas de Terra e Fogo pretende fazer uma ponte entre os processos mais remotos da produção cerâmica e a criação artística contemporânea. Propondo um salto entre milénios, esta exposição responde a um fascínio pelos fragmentos arqueológicos vindos de tempos antigos, de sociedades extintas e enigmáticas.

As esculturas de Sara Navarro, (re)criadas pela arte do fogo, transmitem algo de primitivo, pré-histórico ou arqueológico. Algo que evoca a arte e a cultura de outros tempos, de outros lugares, algo que nos desperta os ecos de uma terra antiga.

A dualidade de referências, entre um passado remoto e a contemporaneidade, funde-se num trabalho de síntese, em que as esculturas funcionam como metáfora que opera no deslocamento entre o sentido histórico das suas referências e o imaginário da autora.

“No meu trabalho exploro a relação entre a mão e a matéria, no sentido do ‘saber fazer’ artesanal. Procuro entrar nos gestos dos produtores ancestrais, reproduzindo-os, sentindo-os como meus. Pelo poder do fogo, para transformar a suave e maleável argila num duro e resistente material, invoco as práticas pré-históricas da produção de artefactos cerâmicos e, nesse sentido, conoto a prática da escultura com um valor cultural primordial. A terra(argila), pela sua maleabilidade, permite-me explorar o gesto que, associado a uma substancialidade terrestre, está na base da criação de esculturas ‘arqueologizantes’, gérmenes da época atual.”

(Sara Navarro)

Partindo de realidades perdidas, as formas criadas pelas mãos da escultora põem o tempo presente em comunicação com passados remotíssimos. Pela transfiguração surgem modelos primordiais, reconhecíveis, ainda que com novas simbologias. Artefactos com significados sempre múltiplos, com sentidos construídos e reconstruídos...