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Em pleno Barrocal Algarvio, numa área de relevos pouco vigorosos, abrem-se as bacias das três linhas de água (Ribeiras de Alte, Sumidouro e Algibre) que convergem, a norte de Paderne, formando a Ribeira de Quarteira – uma bacia hidrográfica de 361 km, com um comprimento de curso de 54 km.
Na margem direita da Ribeira de Quarteira, a 100 m do Castelo de Paderne, localiza-se a chamada “Azenha do Castelo”. Trata-se de um sistema de moagem tradicional que aproveitava a água da ribeira como força motriz. Desconhece-se a data da sua construção, contudo, sabe-se que estes engenhos são anteriores aos moinhos de vento, constituindo um legado da presença árabe. Na Carta de Foral da Vila de Albufeira e seu Termo, concedida por D. Manuel em 1504, já é possível encontrar referências a estes sistemas de moagem, o que permite presumir a sua antiguidade e o importante papel que desempenharam no tradicional fundo tecnológico das comunidades que ali viviam.
Fonte: Nobre, I. (2004) - Património Histórico Monumental. Paderne. Câmara Municipal de Albufeira.






























Do magma às estrelas: elogio das coisas simples e antigas
por Manuel Calado
Fogo, ar, água, terra; terra, água, ar, fogo.
Era nesses caldeirões mágicos que nasciam as bebidas sagradas, catalizadores privilegiados das viagens extáticas aos mundos dos deuses e dos antepassados.
Os potes, como obras exclusivamente humanas, tornaram-se, em muitas culturas, metáforas privilegiadas do próprio homem.
Materiais transformados pelo Homem e que serviam para transformar os alimentos, preparando-os para, no corpo humano, participarem nessa misteriosa alquimia de transformar a matéria no fogo dos sonhos.
Foram, mais tarde, as matrizes dos crisóis. O metal nasce na terra e manifesta-se através do fogo, em peças de cerâmica. Hierofanias.A forma dos objetos era já, só por si, uma manifestação de criatividade, carregada de significados e evocações. Mas, além disso, devido à sua plasticidade, a cerâmica era um suporte particularmente apto para receber grafismos.
A cerâmica, nesse sentido, era equivalente à arte rupestre.Sara Navarro percorreu um longo caminho: recuou 7000 anos até ao tempo em que a cerâmica era uma tecnologia de ponta. Uma conquista tecnológica. Partindo de uma realidade perdida, de que apenas podemos suspeitar os contornos, ela propôs-se transfigurar os potes, reencontrando, nesse processo, em que o presente e o passado se interpenetram, as emoções perdidas do protagonismo da terra.
Criando corpos inusitados, repensados, reinventando, num quadro novo, as velhas novidades neolíticas. Objetos arquetípicos, reconhecíveis, mas depurados das antigas funcionalidades e simbologias.
