Bronze Age in Cambridgeshire | Britain - six boats and hundreds of intact artefacts


Six boats hollowed out of oak tree trunks are among hundreds of intact artefacts from 3,000 years ago that have been discovered in the Cambridgeshire fens, the Observer can reveal. The scale, quality and condition of the objects, the largest bronze age collection ever found in one place in Britain, have astonished archaeologists – and barely a fraction of the site has been excavated. Unique textile fragments, wicker baskets and wooden sword handles have survived. There are even containers of food, including a bowl with a wooden spoon still wedged into the contents, now analysed as nettle stew, which may have been a favourite dish in 1000BC. The boats – two of which bear unusual decoration – are in such good condition that the wood grain and colour can be seen clearly, as can signs of repairs by their owners.

David Gibson, head of Cambridge University's archaeological unit, said the discoveries were internationally important. "One canoe would be great. Two, exceptional. Six almost feels greedy", he said. Mark Knight, the unit's senior project officer, added: "We talk about bronze age landscapes and it always feels as if we're looking through a very narrow window, with the curtains partly drawn or slightly misted over. Now it's as though someone's opened the windows and we're seeing so much more".

The artefacts survived because they were immersed in deep layers of peat and silt. When those layers are lifted off, "the objects are so pristine", Knight said, "it's as if 3,000 years never happened. The softest, wettest deposits ensured that past activity has been cosseted". The artefacts were submerged under an ancient watercourse along the southern edge of the Flag Fen Basin, land altered over millennia by rising sea levels. In the 17th century the Dutch showed how to drain waterlogged land, and today the site east of Peterborough is accessible. Knight said: "In our [bronze age] landscape… you could have walked along the bottom of the fenland basin and to the bottom of the North Sea hunting for deer. By the Roman period, you were perched up at Peterborough, looking out over a huge wet expanse of peat and reed swamp". At ground level, there had been no clue to the artefacts' existence because they were so deep – four metres below ground – and would not have been picked up by aerial, radar, or other exploratory surveys.

The excavation, which is likely to continue for years, has been made possible thanks to Hanson, a bricks and cement supplier. Under planning regulations, the company is obliged to fund archaeological digs, but it has been especially helpful, say the archaeologists. Crucially, and unusually, they were able to excavate down to unprecedented depths since Hanson's need for clay for bricks requires extraction at Jurassic age levels. Knight said: "So we get to see entire buried landscapes. Some of our colleagues try to find ways of getting to the bottom of the North Sea… [while] we get an early view of the same submerged space, but via the humble brick".

Along the 150-metre stretch of a bronze age river channel, they have found the best preserved example of prehistoric river life. There are weirs and fish traps in the form of big woven willow baskets, plus fragments of garments with ornamental hems made from fibrous bark and jewellery, including green and blue beads. Extensive finds of metalwork include bronze swords and spears, some apparently tossed into the river in perfect condition, possibly as votive offerings. One of the boats is 8.3 metres long. "It feels as if you could get the whole family – granny, grandad, a couple of goats and everything – in there", said Knight. The smallest boat is just over four metres long.

The finds reveal how, with the rise in water levels in the bronze age, people adapted to a wetland environment, using rivers for transport, living off pike, perch, carp and eel. How far they could travel in the log boats is unclear. Although the boats were unlikely to have been used at sea, one of the bronze age swords is of a type normally found in northern Spain. Once removed from the fenland, the artefacts must be conserved before eventual public display. Knight said: "Often at an excavation, it takes much imagination for it to become apparent. This site doesn't need that. It's intact. It feels as if we've actually caught up the [bronze age] people. It feels like we're there".

Fontes:

Archaeological Prospection 2013


10th International Conference on Archaeological Prospection


Austrian Academy of Sciences | Vienna


May 29th June 2nd 2013



The organizing committee and partner organizations are honoured to announce the 10th International Conference on Archaeological Prospection (AP2013) on behalf of the International Society for Archaeological Prospection (ISAP) and the Aerial Archaeology Research Group (AARG) to be held in Vienna/Austria from Wednesday May 29th until Sunday 2nd of June 2013. 



The AP 2013 Conference will be hosted by the Austrian Academy of Sciences, the Ludwig Boltzmann Institute for Archaeological Prospection and Virtual Archaeology and the Vienna Institute for Archaeological Science – University of Vienna. 

Formas de Terra e Fogo | Earth and Fire Shapes


A exposição Formas de Terra e Fogo pretende fazer uma ponte entre os processos mais remotos da produção cerâmica e a criação artística contemporânea. Propondo um salto entre milénios, esta exposição responde a um fascínio pelos fragmentos arqueológicos vindos de tempos antigos, de sociedades extintas e enigmáticas.

As esculturas de Sara Navarro, (re)criadas pela arte do fogo, transmitem algo de primitivo, pré-histórico ou arqueológico. Algo que evoca a arte e a cultura de outros tempos, de outros lugares, algo que nos desperta os ecos de uma terra antiga.

A dualidade de referências, entre um passado remoto e a contemporaneidade, funde-se num trabalho de síntese, em que as esculturas funcionam como metáfora que opera no deslocamento entre o sentido histórico das suas referências e o imaginário da autora.

“No meu trabalho exploro a relação entre a mão e a matéria, no sentido do ‘saber fazer’ artesanal. Procuro entrar nos gestos dos produtores ancestrais, reproduzindo-os, sentindo-os como meus. Pelo poder do fogo, para transformar a suave e maleável argila num duro e resistente material, invoco as práticas pré-históricas da produção de artefactos cerâmicos e, nesse sentido, conoto a prática da escultura com um valor cultural primordial. A terra(argila), pela sua maleabilidade, permite-me explorar o gesto que, associado a uma substancialidade terrestre, está na base da criação de esculturas ‘arqueologizantes’, gérmenes da época atual.”

(Sara Navarro)

Partindo de realidades perdidas, as formas criadas pelas mãos da escultora põem o tempo presente em comunicação com passados remotíssimos. Pela transfiguração surgem modelos primordiais, reconhecíveis, ainda que com novas simbologias. Artefactos com significados sempre múltiplos, com sentidos construídos e reconstruídos...



Castelo de Paderne

Faro | Albufeira | Paderne



Na margem esquerda da Ribeira de Quarteira, sobre um expressivo meandro da mesma, na cota de 100 m, ergue-se o Castelo de Paderne. Este encontra-se implantado numa colina de calcários do Jurássico Superior, com um declive bem acentuado, de orientação sudoeste-nordeste, constituindo um excelente ponto estratégico bem demarcado na paisagem envolvente, dominando-a efectivamente.

O Castelo de Paderne é um hisn, uma pequena fortificação rural hispano-muçulmana do período almóada (2.ª metade do século XII e primeiras décadas do século XIII), em cujas muralhas foi utilizado um único e já perdido processo construtivo: a taipa militar. O processo consistia em amassaduras de terra local, acrescidas de inertes e estabilizadas com cal aérea (numa percentagem de 12% a 15%), que eram compactadas, entre taipais, por apisoamento. O bloco ou módulo obtido, uma vez exposto a prolongada carbonatação, adquiriu a resistência de pedra com que chegou a nós.

Este castelo é um dos que figuram na Bandeira de Portugal e foi conquistado aos mouros por D. Paio Peres Correia em 1248, sendo definitivamente desactivado em 1858. Em consequência do seu progressivo abandono, a partir do século XVI, manteve a tecnologia construtiva e o desenho arquitectónico de base que lhe deram os seus fundadores almóadas. O mesmo abandono que possibilitou que as intervenções arqueológicas dos últimos anos exumassem estruturas tardomedievais demonstrativas da existência, no interior das muralhas, de um espaço planificado e totalmente urbanizado de raiz, constituído com base em ruas estreitas percorridas por um complexo sistema de drenagens que conduzia as águas residuais para o exterior da muralha. As ruas formavam quarteirões, com uma densidade de ocupação própria de contextos urbanos da época, preenchidos por características habitações almóadas, de pátio central descoberto ao qual acediam todas as salas. Após a conquista cristã, uma nova população, com conceitos distintos do que era o espaço doméstico, procederá à adaptação ou alteração do modelo inicial. No interior, estão ainda identificadas duas cisternas que dão testemunho dos dois principais momentos de ocupação do castelo – o islâmico e o cristão.
O castelo de Paderne é paradigmático da arquitectura militar almóada de taipa em Portugal. Configurou-se, na sua origem, como um pequeno recinto de forma trapezoidal irregular com um escasso hectare, envolto por uma robusta muralha de taipa militar, tendo, a sudeste, um vão de acesso directo à malha ortogonal da alcaria implantada no interior. Aquele único acesso, mantém a norte, localizada sensivelmente a meio do alçado nascente, no exterior da muralha, a cerca de 2,10 m desta, uma torre albarrã (al-barrāniya), que se une à muralha através de um passadiço, com a forma de um quadrilátero, medindo cerca de 2,90 m por 2,80 m, sustentado por um imponente arco. A torre apresenta planta quadrangular, uma altura máxima conservada de cerca de 9,30 metros e, no topo, um piso com uma área de cerca 30 m². A intervenção arqueológica na torre albarrã veio colocar a hipótese de ter existido um “parapeito” com aberturas de frechas ou seteiras. Originalmente, de acordo com fotografia publicada na “Monografia de Paderne” de Ataíde de Oliveira (1910), toda a estrutura (arco e o passadiço) seria em taipa, contudo as obras de conservação da DGEMN (1986) fizeram com que hoje corresponda, na sua metade inferior, a uma alvenaria de pedra.
No espaço interior, junto ao vão de acesso, são visíveis as ruínas de uma ermida que foi de evocação a Nossa Senhora da Assunção e conheceu romarias na data da sua padroeira (15 de Agosto) e, no dia da Anunciação, a 25 de Março. Em 1858 já se encontrava-se em ruína e desactivada do culto porque, nessa ano, com a justificação de que estava abandonada, o Livro de Actas da Junta da Paróquia regista a deliberação de que as telhas e as madeiras se retirariam em benefício da Igreja Matriz e da Ermida de Nossa Senhora Pé da Cruz. Possivelmente a Ermida de Nossa Senhora do Castelo ou de Nossa Senhora da Assunção terá ocupado parte da área do templo que foi a primitiva sede paroquial de Paderne pois, entre meados do século XIII e as primeiras décadas do século XVI, o adro do lado da muralha funcionou como cemitério.
Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971, este monumento tem sido objecto de estudo com vista à sua valorização e integração classificada nas áreas envolventes à Ribeira de Quarteira, enquanto Área de Paisagem Protegida. Esta abordagem tem contemplado a identificação de vários núcleos de interesse arqueológico e etnográfico, bem como a caracterização da fauna e flora por ali existentes.


A cerca de 200 m a sudeste do Castelo de Paderne, sobre a ribeira de Quarteira, e a 2.250 m a sul da povoação de Paderne, foi edificada uma ponte de alvenaria, possivelmente romana, com a data de 1771 inscrita no seu parapeito, sobre o arco central, talvez após a sua provável reconstrução por efeitos do terramoto de 1755. Possuí 3 arcos de volta perfeita, defendidos por 2 talha-rios com parapeito.