Ermida de Nossa Sr.ª da Guadalupe

Vila do Bispo | Raposeira 

«A este “objecto” que conseguiu resistir aos terramotos que assolaram a região, considerado monumento nacional, têm sido atribuídas diversas paternidades. Todas as fontes o classificam como romano-gótico. Alguns pensam-no como pertença dos Templários, datando-o do século XIII. Para outros é contemporâneo do Infante D. Henrique. Por último, Alberto Iria dá-o como provável do reinado de D. Fernando, chegando a atribuí-lo ao seu “mestre de pedraria” e “vedor de obras João Garcia Toledo” baseando-se numas iniciais encontradas na “mísula esquerda do primeiro arco”. Adianta a possibilidade de ter sido mandada construir por algum “rico lavrador” ou “armador de pesca” que se tivesse libertado, assim como sua mulher e filho (baseando-se na chave da abóbada com três rostos), do cativeiro sofrido às mãos dos mouros.
São imensas as referências a esta ermida durante o longo período em que o Infante D. Henrique permaneceu na região, nela ouvindo missa e recolhendo-se, sem que nunca se afirmasse ter ele estado ligado à sua fundação.»



Curioso será o facto de existir um menir junto desta ermida, atestando um remoto interesse por aquelas paisagens e uma certa continuidade ritual daquele local. Trata-se de um menir de grés, grosseiramente afeiçoado, com 167 cm de comprimento e 98 cm de largura.

BONUM HIEMIS SOLSTITIUM

"O Farol do Fim do Mundo" | Promontorium Sacrum - Sagres



















O Solstício de Inverno ocorre hoje, pelas 11:12 (hora de Lisboa). Este instante assinala o inicío da estação mais fria do ano, uma estação que se prolongará por 88,99 dias, até ao próximo Equinócio, no dia 20 de Março de 2013.

Em Astronomia, os Solstícios correspondem aos momentos em que o Sol atinge declinações extremas, ou seja, as posições máxima e mínima no céu em relação ao equador. A palavra tem origem latina (Solstitium) e está associada à ideia de que o Sol fica estacionário ao atingir essas posições.

Senhora de Altai

 

Documentário sobre o célebre enterramento do séc. V a.C. da chamada "Donzela do Gelo", ou "Senhora de Altai" - Ukok (Pazyrik, Sibéria) perto da fronteira chinesa. A sua descoberta deveu-se a Natalia Polosmak que, em 1993, identificou uma sepultura excepcionalmente preservada em permafrost. A jovem defunta de Ukok terá sido enterrada num sepulcro estruturado com troncos, juntamente com 6 cavalos sacrificados em sua honra, além de um importante "enxoval" constituído por objetos de ouro, bronze, madeira e seda. O seu corpo ainda conservava tatuagens com diversos motivos estilizados, designadamente figuras de cervídeos e de outros animais imaginários ou reais, presentes na paisagem e na mitologia dos povos das estepes.

O documentário passa em revista o achado arqueológico, as circunstâncias da sua descoberta, o processo de investigação, assim como as polémicas em torno da sua etnicidade (oriental vs europeia) e do seu futuro.



Pottery traditions of the Pattanam region - Kerala | India

Pattanam is a landlocked rural hamlet located in the Periyar Delta in Eranakulam district in the southern Indian state of Kerala. Pattanam, a name which means "coastal town", has ancient origins. It is said to have been first occupied around 1000 BC and continued to be active till the 10th century AC. 4 m thick soil of this village conceals the ancient maritime history of the world. The recent archaeological excavations undertaken by the Kerala Council for Historical Research [KCHR] at Pattanam suggests that the legendary seaport Muziri Pattanam, better known as Muziris, could have been located at this small village.



Artes & Ciências em diálogo...























The Age of Bronze in PreHistory | Art and Fiction

In one of the earliest commentaries on world history (c700 BC), the Greek writer, Hesiod, placed the “Age of Bronze” mid-way between the “Age of Gold” and the impoverished “Age of Iron,” in which he considered himself unfortunate enough to live. More than two and a half millennia later, the Danish archaeologist, Christian Jurgensen Thomsen, reinstated the idea of a “Bronze Age,” albeit within a very different conceptual paradigm. Thomsen’s “Three Age System” (Stone Age, Bronze Age, Iron Age) remains the basis for the chronological understanding of European prehistory to this day and, in the British Isles, the Bronze Age can be dated between c2400 BC and c750 BC. I have written, in my biography of Sir John Lubbock (www.mark-patton.co.uk/id1.html), of the process by which this framework was refined and popularised.

The Bronze exhibition currently showing at London’s Royal Academy of Arts (until 9th December) explores the aesthetic value of bronze as a material from earliest times down to the present day, displaying Bronze Age objects alongside some of the masterpieces of classical antiquity, and sculptures by artists including Cellini, Rodin and Picasso.

Recent works of historical fiction, including J.P. Reedman’s Stone Lord and J.S. Dunn’s Bending the Boyne, as well as my own Undreamed Shores, have set out to imagine the culture and motivations of the very first bronze workers in this part of the world. Those early bronze-smiths could surely not have conceived of a work on the scale of Cellini’s Perseus, which is one of the centrepieces of the exhibition, yet, in a very real sense, their efforts paved the way for this extraordinary grandeur.


I was naturally attracted to two of the earliest pieces in the exhibition, which I think have much to say about the real “Age of Bronze.”

The first of these objects is a figurine, believed to be of a tribal chief, from Late Bronze Age Sardinia (7th or 8th Century BC). Wherever bronze was first introduced, perhaps especially in communities that did not already have iron, it seems to have been accompanied by fundamental changes in social structure, with the increasing concentration of wealth and power in the hands of a few individuals. Unlike iron, copper and tin (the components of bronze) are relatively rare elements, and often need to be obtained by trade: those trade routes can be monopolised and defended by a combination of charisma, diplomacy and, where necessary, warfare. Though separated both by hundreds of years and by hundreds of miles, this Bronze Age Sardinian belongs recognisably to the same social milieu as Reedman’s Arthu, Dunn’s Elcmar and my Gwalchmai.


The second object is a model chariot, with a gilded disc usually assumed to represent the sun, found at Trundholm in Denmark, and dated to around 1400 BC. Sun worship may not have begun in the 3rd Millenium BC, and may not have been universal in the European Bronze Age, but the period certainly provides some striking testaments of it, and this is surely one of them. There are two other points of interest here. The world of Undreamed Shores (set around 2400 BC) includes neither domesticated horses nor wheeled transport; that of Stone Lord (set around five centuries later) includes both. Exactly when either was introduced is difficult to determine, but both seem to have made their appearance during the Bronze Age, and to have been well-established in most parts of Europe by the end of it. The trade and exchange that enabled the first bronze-smiths to obtain their raw materials almost certainly facilitated the spread of other ideas and technologies as well.




Cerro da Villa - Arqueologia & Arte



A estação arqueológica do Cerro da Vila (Vilamoura/Loulé) acolheu a exposição Dez Monumentais Esculturas Britânicas, entre 10 de Setembro de 2010 e 10 de Setembro de 2011. A iniciativa integrou-se no programa “Allgarve’10”, proporcionando aos visitantes o contacto com dez obras monumentais, da Colecção Berardo, expostas num espaço arqueológico que testemunha a passagem e permanência romana na região durante cerca de nove séculos.

Tony Cragg - Line of Thought (2006)


Henry Moore - Reclining Figure: Arched leg (1969/70)

Este singular conjunto escultórico, de importância artística e estética incontornável, é representativo de três gerações de escultores. Da tradição à renovação da escultura, este universo abrange os mais profícuos escultores da cena artística contemporânea britânica, da chamada “nova escultura Inglesa”, da qual é exemplo o escultor Tony Cragg. Tendo como grande referência a figura de Henry Moore, considerado o precursor da escultura moderna britânica do século XX, a exposição resulta numa diversificada e equilibrada leitura formal e temática, que vai desde as representações figurativas e antropomórficas, às mais abstractas e geométricas, passando pelas mais despojadas e metafóricas, todas elas enriquecidas pelo diálogo permanente com o espaço arqueológico que as acolhe.



Arqueologia & Arte

Zadok Ben-David - Looking Back (2005)

Peter Burke - Register (2003)

William Furlong - Walls of Soud (1998)

Lynn Chadwick - Ace of Diamonds III (2003)


Danny Lane - Stairway (2005)


F. E. McWilliam - Pillow of Strength (1965)


Allen Jones - Temple (1997)

Richard Deacon - Breed (1949)


e a Arqueologia...

O arqueossítio do Cerro da Vila registou uma ocupação proto-histórica da Idade do Bronze Final (Vinha do Casalão) – uma necrópole de cistas do chamado “Bronze do Sudoeste”.



A villa romana do Cerro da Vila terá sido edificada no decorrer do império de Augusto (27 a.C. - 14 d. C.) e estende-se por cerca de 12.400 m2. Trata-se de uma villa marítima industrial, ocupada por Romanos, Visigodos e Árabes, entre o século I e o século XI d.C. Dedicada à indústria tintureira e conserveira, a implantação romana organizou-se em dois núcleos populacionais e uma necrópole. Para o efeito, foi aberta uma barragem que servia toda a villa através de uma enorme rede de canalização, que também servia um complexo termal. No perímetro da estação ainda se podem observar os vestígios de uma pequena casa (domus), que terá servido de hospedaria, um conjunto de tanques de salga (cetárias) e de tinturaria, troços de canalização, vestígios de duas torres hexagonais (possivelmente de vigia) e um templo funerário com columbarium (nichos nas paredes para colocação de urnas). O porto, junto do qual o assentamento se estabeleceu, permitiu a sua dinamização, fomentando uma intensa actividade mercantil, tanto ao nível da importação como da exportação.

Complexo termal

Piscina - Natatio

Monumento funerário / columbarium

Área portuária

Mosaico com um esquema de estrelas de quatro pontas pretas em fundo branco e um meandro de suásticas de volta simples e quadrados na soleira. Na zona destruída da soleira podem ainda observar-se os vestígios de um mosaico mais antigo, a preto e branco, testemunhando as remodelações que ocorreram na casa e que contemplaram a colocação de novos mosaicos. O mosaico das estrelas foi colocado no momento das obras de ampliação e renovação na casa, durante a primeira metade do século IV d.C.

Elementos de mó e base de coluna em tijolo de quadrante

Torre hexagonal

Walk the Line ...


Um pequeno museu/centro interpretativo apresenta no local o mais representativo material arqueológico exumado na zona. 

Fica assim o registo de uma interessante e simbiótica proposta de convivência entre o Património Arqueológico e o Património Artístico. Um atractivo espaço cultural onde a Arqueologia e a Arte se fundem numa cápsula que perpassa os tempos.