Alcalar



Em Alcalar (Mexilhoeira Grande/Portimão), a meio caminho entre os areais da ria de Alvor e a Serra de Monchique, existiu outrora um grande assentamento pré-histórico, atribuível ao 3.º milénio a.C. Este lugar constituiu o centro hegemónico de um território habitado por comunidades camponesas, dispersas por pequenos povoados nas margens da ria de Alvor, nas férteis terras interiores do Barrocal e nas vertentes meridionais da Serra de Monchique.

Monumento n.º 1


Aparentemente o mais antigo monumento funerário do conjunto de Alcalar, trata-se de uma pequena anta composta por um pequeno corredor e por uma câmara de 8 ortostatos, dos quais apenas restam 3 esteios. Do espólio atribuível ao Neolítico Final/Calcoltíco, destaca-se uma placa de xisto, pontas de seta, machados, contas de colar e dois almofarizes de calcário.

Monumento n.º 4

Monumento de falsa cúpula, com câmara conservando 2 nichos laterais. A entrada do corredor é singularmente "guardada" por dois megalitos, um deles um menir e um outro de feição estelar.

Monumento n.º 7

(maquete em exposição no Museu de Portimão)

O monumento n.º 7 é composto por uma mamoa contida por um murete de alvenaria em xisto, apresentando uma planta regularmente circular com cerca de 27 metros de diâmetro. Fachada traçada sobre uma linha direita, secante ao círculo da mamoa. A área interna do murete é preenchida por um "cairn" de pedra calcária, cuja base foi regularizada horizontalmente e nivelada por um estrato rico em matéria orgânica e com restos de ocupação. Numa coroa periférica o "cairn" é forrado por uma calçada de xisto. A mamoa envolve um tholos parcialmente implantado no subsolo. Uma câmara com 3 metros de diâmetro na base e elevação em falsa cúpula, rematada no topo por duas tampas. O corredor é estreito, segmentado em troços demarcados por lajes-ombreiras e com tampas de lajes. O monumento tem uma estrutura de correlação e ocupação exterior periférica, com evidência de uma estela-menir de secção subcircular.

Monumento n.º 9

Monumento de câmara circular construída em falsa cúpula e corredor longo. Como espólio foram apenas registadas ossadas humanas.

Ídolo calcário - "OlhOs de SOL"
(em exposição no Museu de Portimão)

Nuno Silva
Oficina de Arqueologia Experimental
Museu de Portimão
Centro de Interpretação de Alcalar


Sítio classificado como Monumento Nacional

Mais informação em:

Menir dos 3 Bicos | Portimão

Na sequência de recentes obras para mais uma urbanização em Portimão, foi descoberto um menir (Lote 3 da urbanização de São Sebastião) em calcário conquífero, tombado e fracturado, apresentando alguns aspectos decorativos (circulos). No que respeita ao seu local de origem, as informações são contraditórias. O megálito foi então remobilizado para a sua actual localização, um pequeno espaço verde, após uma expedita escavação de emergência. A descoberta sugeriu um reequadramento megalítico e uma relativa dignidade urbana!!!




Valle de las Higueras | Huecas

A ocupação pré-histórica no Valle de las Higueras (Huecas/Toledo) encontra-se a ser investigada no âmbito do acompanhamento de obras de saneamento na Província de Toledo (Castilla la Mancha). Os trabalhos desenvolvidos por Primitiva Bueno Ramírez, Rosa Barroso Bermejo e Rodrigo de Balbín Behrmann (da Universidade de Alcalá de Henares) têm vindo a revelar sítios de habitat associados a espaços funerários sob mamoa (El Castillejo) e hipogeus (Valle das Las Higueras), estes últimos no bordo de uma "mesa" calcária, com uma diacronia fixada entre o Neolítico e a Idade do Bronze. De destacar o facto de os afloramentos calcários apresentarem abundantes jazidas de sílex, de fraca qualidade, mas com evidentes indícios de exploração pré-histórica.



Um agradecimento muito especial: gracias por la visita y simpatías - Primitiva Bueno & Rosa Bermejo.

Os visitantes: Manuela Calado, Mário Carvalho, Sara Navarro & Ricardo Soares

Fotografia de Ricardo Soares & Sara Navarro

Exposição de Fotografia de Espeleologia do Espichel



Convite: Exposição de fotografia espeleológica do CEAE-LPN (Centro de Estudos e Actividades Especiais da Liga para a Protecção da Natureza), integrada nas comemorações dos 600 anos do santuário do Cabo Espichel. A exposição poderá ser vista até 13 de Julho, no auditório Carlos Alberto, em Sesimbra.

Lapa de Santa Margarida





Cavidade cársica situada no sopé do maciço da Serra da Arrábida, na sua vertente Sul, entre o Portinho da Arrábida e a Praia de Alpertuche, aberta em arribas escavadas pelo mar durante o Plistocénico. Apresenta bons exemplos de conglomerados provenientes de terraços marinhos de 12-15 e 5-8 metros, produzidos entre o último interglaciário e os inícios da glaciação de Wurm (100.000 Anos). Actualmente, o desnível da gruta, em relação ao nível do mar, ronda os 5 metros. A lapa apresenta uma entrada na falésia exposta ao Oceano, abrindo para uma grande sala.

Em 1940, G. Zbyszewski e H. Breuil documentaram um biface abbevilense, muito rolado, além de utensílios em quartzo do mustierense.

"abre-se em dois arcos na rocha, um que dá sobre o mar, outro que dá para fragas. Entra-se pelo que dá sobre o mar, até onde vos puder internar o vosso barquinho, como fazem os pescadores do Cabo quando vão ouvir missa ou levar oferenda à Santa da Lapa. De repente arqueia-se sobre vós a gruta silenciosa, cheia de uma frescura e de uma suavidade inalteráveis, sepultada num silêncio religioso que o roçar das ondas parece não interromper. Recorta-se irregularmente em caprichosas estalactites o côncavo da Lapa. Em alguns pontos, foram subindo do solo as colunas vítreas a que os naturalistas chamam estalagmites, e tanto cresceram que puderam fundir-se com as grandes massas de carambina pendentes da abóbada. Abraçaram-se e fizeram colunas que três homens não poderão abranger com os braços" - Alexandre Herculano.

in Revista Occidente, 1886
Bibliografia:


SILVA, C. T.; SOARES, J. (1986) – Arqueologia da Arrábida. Parques Naturais. Lisboa: Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, 15, p. 29-30.
http://www.sesimbra.com/patrimonio/L_St-Margarida.html
Base de dados Endovélico

Fotografia de Ricardo Soares e Sara Navarro